O ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Marques de Carvalho, afirmou que o governo federal tem intensificado o combate à corrupção e adotado medidas concretas para dificultar a atuação de quem tenta lesar os cofres públicos. Durante entrevista concedida ao programa Bom Dia, Ministro, ele apresentou dados que indicam aumento da confiança da população nas instituições públicas e detalhou ações que vêm sendo executadas para fortalecer a transparência e o controle dos recursos federais.
Segundo os números apresentados, a confiança no Governo do Brasil cresceu 12 pontos percentuais entre 2022 e 2025, chegando a 38%. O índice representa o maior avanço registrado entre países da América Latina e do Caribe no período analisado. Em três anos, o país saiu de um patamar próximo da média regional para um nível superior em diversos indicadores de credibilidade institucional.
Entre os dados destacados, a satisfação com o sistema de saúde passou de 32% para 40%. No sistema de educação, o salto foi ainda maior, saindo de 29,7% para 55%. Já os serviços administrativos federais registraram crescimento de 31,8% para 55% na avaliação positiva. A percepção de que um pedido de benefício seria analisado com justiça subiu de 19% para 48%, enquanto a confiança de que um servidor público recusaria suborno dobrou, passando de 20% para 40%. A confiança na própria capacidade de participar da política também aumentou, saindo de 34,8% para 42%.
O ministro destacou que esses resultados não são apenas números, mas reflexo de ações práticas. Ele afirmou que o governo tem dado liberdade e condições para que órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e demais instâncias de controle atuem de forma coordenada. Segundo ele, o foco é enfrentar esquemas de fraude e aprimorar os mecanismos de fiscalização.
No campo das auditorias, a Controladoria-Geral da União ampliou significativamente sua atuação. Em 2025, foram publicados 628 relatórios de auditoria, número cerca de 40% superior ao registrado em 2022. A fiscalização alcançou 404 entes federativos no último ano, crescimento de 167% em relação ao período anterior analisado.
As auditorias realizadas geraram benefícios financeiros que ultrapassam R$ 40 bilhões. O valor representa aumento de aproximadamente 25% em comparação a 2021 e mais que o dobro do registrado em 2022. O ministro ressaltou que, apenas com melhorias em processos de licitação, o governo deixou de gastar mais de R$ 3 bilhões nos últimos três anos, reduzindo desperdícios e fortalecendo a integridade nas contratações públicas.
Ao comentar o caso envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, Vinícius Marques de Carvalho afirmou que a atuação foi rápida para identificar irregularidades, responsabilizar entidades envolvidas e bloquear recursos. Ele reforçou que o objetivo é impedir que fraudes se consolidem e garantir proteção aos cidadãos mais vulneráveis.
Sobre o caso do Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no contexto de investigações conduzidas pela Polícia Federal, o ministro explicou que, se forem identificados indícios de participação de servidores públicos federais em atos de corrupção, a CGU poderá instaurar processos administrativos e aplicar sanções. Ele também destacou a aplicação da Lei Anticorrupção, que prevê multas e punições para empresas envolvidas em práticas ilícitas contra a administração pública.
No debate sobre emendas parlamentares, o ministro informou que a CGU realizou 70 auditorias no último ano para avaliar a aplicação de recursos federais por estados e municípios, incluindo valores provenientes dessas emendas. Ele ressaltou que o foco não é direcionado a um tipo específico de recurso, mas sim à correta aplicação de verbas públicas. Quando são identificadas inconsistências, os casos podem ser aprofundados e, se necessário, encaminhados para investigações mais detalhadas.
Outro dado relevante apresentado foi o aumento da confiança no sistema eleitoral brasileiro, que alcançou 48%, índice nove pontos acima da média regional. A confiança no serviço público também atingiu 42%, superando em 10 pontos percentuais a média da América Latina.
Para o ministro, os números demonstram que o fortalecimento das instituições passa por ações concretas de fiscalização, transparência e responsabilização. Ele afirmou que o desafio não é apenas reconhecer que a corrupção existe, mas demonstrar como o Estado enfrenta o problema com instrumentos modernos de controle e com atuação coordenada entre diferentes órgãos.
A estratégia anunciada envolve ampliar a presença da CGU nos entes federativos, aprimorar o monitoramento de contratos e manter o diálogo institucional para garantir maior eficiência na aplicação dos recursos públicos. A meta, segundo o ministro, é consolidar um modelo de gestão baseado em dados, prevenção de irregularidades e punição efetiva quando forem comprovadas práticas ilegais.
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