Mato Grosso do Sul, 26 de junho de 2026
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Morte brutal em assentamento teria sido motivada por disputa por gado e consumo de álcool

Investigação aponta que desentendimentos antigos entre envolvidos antecederam assassinato de idoso encontrado dentro de saco em área de brejo na zona rural de Campo Grande
Antônio morava no Assentamento Conquista
Antônio morava no Assentamento Conquista

Um crime marcado pela violência e pela crueldade abalou moradores do Assentamento Conquista, localizado às margens da MS-080, a cerca de 30 quilômetros de Campo Grande. A morte do idoso de 72 anos, encontrado dentro de um saco em avançado estado de decomposição, mobilizou equipes especializadas da Polícia Civil e revelou detalhes que apontam para uma disputa envolvendo gado, desentendimentos frequentes e interesses patrimoniais.

O idoso estava desaparecido desde o último dia 19 e teve o corpo localizado somente na manhã de quarta-feira, após moradores da região intensificarem as buscas. A descoberta chocou a comunidade rural, especialmente pela forma como o corpo foi ocultado e abandonado em uma área de difícil acesso.

Desde o registro do desaparecimento, investigadores passaram a reunir informações sobre os últimos contatos da vítima e sobre pessoas próximas ao seu convívio. As diligências levaram à prisão de dois homens, de 50 e 55 anos, suspeitos de participação direta no homicídio e na ocultação do cadáver.

Conforme as investigações, a motivação do crime teria começado após uma série de discussões envolvendo a posse de animais e desentendimentos ocorridos durante encontros regados ao consumo de bebidas alcoólicas. A polícia apura ainda a possível participação de outras pessoas e investiga a hipótese de que havia interesse no patrimônio rural pertencente ao idoso.

Durante depoimentos, um dos investigados revelou que teria sido procurado semanas antes do crime para participar da execução do idoso, proposta que, segundo ele, recusou inicialmente. Ainda conforme o relato, existia entre alguns envolvidos a intenção de assumir a posse do gado pertencente à vítima.

As investigações apontam que os desentendimentos entre o idoso e um dos suspeitos eram frequentes e se repetiam após episódios de consumo de álcool. Segundo os relatos obtidos pela polícia, as brigas vinham ocorrendo há algum tempo, aumentando gradativamente a tensão entre os envolvidos.

Um dos suspeitos admitiu ter auxiliado no transporte do corpo após a morte. Conforme seu depoimento, ele ajudou a colocar o cadáver em um carrinho de mão antes que o corpo fosse levado para o local onde acabou sendo encontrado dias depois.

Já o principal suspeito, localizado em uma propriedade rural no município de Corguinho, declarou aos policiais que teria sido agredido pelo idoso em ocasião anterior. Segundo seu relato, no dia do crime ele teria surpreendido a vítima e realizado as agressões utilizando um cabo de madeira semelhante ao utilizado em ferramentas agrícolas.

Após a agressão, conforme relatado à polícia, o suspeito deixou o local enquanto outro envolvido teria permanecido na propriedade. A versão apresentada pelos investigados ainda está sendo confrontada com laudos periciais, depoimentos de testemunhas e demais elementos reunidos durante a investigação.

Além dos dois homens presos, uma mulher também foi detida durante a operação policial em razão de um mandado de prisão pendente por outro crime. Ela foi ouvida na condição de testemunha e forneceu informações consideradas importantes para o esclarecimento do caso.

O corpo do idoso foi encontrado após moradores perceberem um forte odor vindo de uma área de brejo existente no assentamento. Ao se aproximarem, localizaram uma bolsa de estopa e, ao verificarem o conteúdo, encontraram o cadáver em avançado estado de decomposição, apresentando diversas lesões na região da cabeça.

A brutalidade do crime provocou forte comoção entre moradores da comunidade rural. Vizinhos e amigos descrevem a vítima como uma pessoa simples, trabalhadora e bastante conhecida na região. Muitos relataram indignação com a forma violenta como o idoso foi morto e descartado.

Amigos próximos recordaram que o homem levava uma vida modesta, mantinha hábitos simples e era conhecido pela discrição. Segundo relatos, ele vivia praticamente isolado, possuía poucos bens e mantinha uma rotina voltada às atividades rurais.

A Polícia Civil solicitou a conversão das prisões em flagrante para prisão preventiva, argumentando que a gravidade do crime, a violência empregada e o risco de reiteração criminosa justificam a manutenção dos suspeitos sob custódia. As investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do homicídio e identificar eventual participação de outras pessoas.

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