A morte de Deise Moura dos Anjos, investigada por envenenar um bolo de Natal em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, levanta questionamentos e traz novos desdobramentos ao caso que já vinha chamando atenção. Detida desde a semana passada na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba (PEFG), Deise foi encontrada morta na manhã desta quinta-feira (8), em uma cela isolada na ala de triagem da unidade prisional.
A principal suspeita é de que ela tenha tirado a própria vida durante a madrugada. No entanto, a polícia investiga todas as possibilidades.
O Último Alerta: Pedido de Ajuda Ignorado?
Na manhã de quarta-feira (12), um dia antes de ser encontrada sem vida, Deise revelou a um advogado que estava planejando se matar. Segundo relatos, o profissional teria alertado os responsáveis pela penitenciária sobre a situação, mas nenhuma providência foi tomada para intensificar a vigilância ou oferecer suporte psicológico adicional.
Além disso, no mesmo encontro com o advogado, Deise entregou sua aliança de casamento, um gesto simbólico e carregado de emoção. O matrimônio com Diego Silva dos Anjos estava em processo de divórcio, a pedido dele, e a notícia do fim da relação teria abalado ainda mais seu estado emocional. Durante a conversa, a detenta chorou bastante e demonstrou profundo desespero.
Condições Precárias e Declínio da Saúde Mental
Fontes dentro da penitenciária revelaram que Deise enfrentava graves dificuldades psicológicas e vinha pedindo um aumento na dose do antidepressivo que tomava. Ela também reclamava constantemente das péssimas condições na unidade, incluindo a qualidade da alimentação e o calor intenso dentro da cela.
Nos últimos dias, sua dieta se restringia a pão, bananas e água da torneira, pois ela se recusava a ingerir a comida servida no presídio. O cheiro forte vindo da tubulação de esgoto e o calor insuportável foram fatores que, segundo relatos, agravaram ainda mais seu estado emocional.
A Madrugada Fatal e a Descoberta do Corpo
O momento exato da morte de Deise ainda não foi determinado, mas tudo indica que o ato tenha ocorrido durante a madrugada. Durante a conferência matinal das presas, uma agente penal encontrou o corpo na cela isolada.
Ao perceber que Deise não apresentava sinais vitais, a servidora tentou realizar massagem cardíaca, enquanto uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada. No entanto, os socorristas apenas puderam confirmar o óbito no local.
A Polícia Penal divulgou uma nota oficial informando que as circunstâncias da morte serão investigadas pela Polícia Civil e pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
Silêncio das Autoridades e Mistério no Caso
A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) afirmou que não comentará o caso enquanto as investigações estiverem em andamento. A diretora da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, Fernanda Kersting, e a vice-diretora, Elaine Cantini, também se recusaram a fazer declarações sobre o ocorrido.
A ausência de informações oficiais e o histórico de alertas ignorados antes da morte levantam dúvidas sobre uma possível negligência por parte do sistema prisional. Além disso, alguns questionam se Deise realmente tirou a própria vida ou se algo mais pode ter acontecido dentro da cela isolada.
Repercussão e Comoção
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais e dividiu opiniões. Enquanto alguns acreditam que Deise merecia uma segunda chance e que o Estado falhou ao não oferecer o suporte necessário, outros veem sua morte como uma consequência de seus próprios atos.
Seja qual for a verdade, o episódio expõe mais uma vez a precariedade do sistema prisional brasileiro, a fragilidade emocional de muitos detentos e a necessidade urgente de melhores condições e acompanhamento psicológico dentro das unidades.
A investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes dessa morte misteriosa.
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