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Mato Grosso do Sul, 22 de maio de 2024
Campo Grande/MS
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Mulheres indígenas lutam para salvar nascentes em Dourados

Foto: Eliel Oliveira
Foto: Eliel Oliveira

Com desabastecimento constante de água na reserva indígena há mais de 30 dias, mulheres indígenas correm contra o tempo para salvar as nascentes. Trata-se do projeto Nascente Viva, que já plantou mais de 1 mil mudas de árvores em torno do córrego Jaguapiru. O movimento é liderado pela Associação de Mulheres Indígenas de Dourados (Amid) com o apoio da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Associação de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul (Apoms) e Grupo Tarahumara Fans – Running for the Planet.

De acordo com a representante das mulheres indígenas, Lenir Paiva Flores Garcia, as nascentes e os córregos da Reserva estão escassos, sendo que muitos deles já desapareceram por causa do assoreamento. “Se não for recuperadas creio que dentro de 5 anos não teremos mais água nas comunidades indígenas. Quando uma nascente seca prejudica as veias d’águas que sustentam os poços das comunidades”, alertou.

Conforme ela, antes as mulheres ainda utilizavam as águas das nascentes para lavar roupa ou limpar a casa durante os desabastecimentos, porém com os córregos poluídos e assoreados, a comunidade perdeu essa opção. “A falta de água castiga muito a gente”, ressalta, observando que pretende mobilizar a comunidade para ajudar a preservar os córregos.

O projeto começou em 2017. Naquela época uma pesquisa da UFGD mostrava que o córrego Jaguapiru tinha 38 hectares de vegetação devastada. Apenas dentro da Reserva indígena, eram 25,3 hectares de área com necessidade de restauração. Outros 13,5 hectares de mata nativa estavam em péssimo estado de conservação. A consequência disso foi o assoreamento do principal leito do riacho e de nascentes importantes da Reserva. De lá para cá, muito trabalho foi realizado e boa parte do córrego hoje está limpo.

Desmatamento

De acordo com o levantamento feito pela UFGD, o desmatamento, onde a vegetação nativa foi quase que suprimida completamente, resultou num conjunto de problemas ambientais, como a extinção de várias espécies da fauna e da flora, as mudanças climáticas locais, a erosão dos solos e o assoreamento dos cursos d’água, além de perda da camada biologicamente ativa do solo e, perda da biodiversidade local e regional.

O estudo mostra ainda que a explicação para a degradação pode estar na taxa de ocupação. Para se ter ideia, a área de uso econômico representa 83% do total da Reserva. Estes locais, são consolidados pelo processo de ocupação, onde se verifica o predomínio de moradias, associadas a atividades econômicas de subsistência (agricultura, pastagem e pomares) e infraestrutura diversas.

Além do assoreamento, a falta de cobertura vegetal nas margens desses córregos e nascentes tem causado um grande acúmulo de sedimentos nos leitos, “o que fez com que em muitas partes já não exista mais o leito dos córregos, apenas uma área úmida, que quando chove invade as casas que ficam próximas aos córregos”, diz trecho do estudo.

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