A polícia prendeu na madrugada desta quarta-feira o músico Alex Sander Barrios, de 44 anos, após ele efetuar um disparo que atingiu na cabeça um homem de 49 anos durante um encontro marcado para “acertar diferenças” no bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande. O autor acionou a Polícia Militar em seguida e foi localizado por equipes na região do Bairro Aero Rancho, onde confessou ser o autor do tiro e descartou a arma no momento da abordagem.
O episódio começou com uma troca de mensagens pelo aplicativo WhatsApp entre os envolvidos, motivada por um desentendimento envolvendo uma ex-namorada do autor, que atualmente é companheira da vítima. Segundo o relato do homem ferido à polícia, os dois combinaram de se encontrar para conversar. Ao chegarem ao local, a discussão evoluiu para confronto físico. Próximo ao corpo da vítima os policiais encontraram uma faca, que foi apreendida junto com o revólver calibre 38 lançado pelo autor ao perceber a presença da polícia.
Socorrida imediatamente, a vítima foi levada consciente para a Santa Casa de Campo Grande. Exames iniciais identificaram que o projétil ficou alojado na região cervical e ele aguardava avaliação da equipe de neurocirurgia. No momento do atendimento o homem apresentava boas condições clínicas, segundo relatos das equipes de resgate, mas permanece sob observação e sem previsão pública de alta.
A Polícia Militar informou que, ao ser abordado, o autor inicialmente disse que o disparo teria sido um acidente, mas admitiu ter efetuado o tiro e negou intenção de se entregar de imediato. Durante as diligências, agentes localizaram o veículo utilizado por Alex, um Chevrolet Prisma branco. A arma e a faca foram apreendidas e encaminhadas à delegacia para perícia.
Na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário Cepol o caso foi registrado como tentativa de homicídio, posse irregular de arma de fogo e porte ilegal de arma de uso restrito. A autoridade policial responsável deverá remeter o inquérito ao Ministério Público, que decidirá sobre a denúncia formal e as medidas cautelares cabíveis. Se condenado, o acusado poderá responder por crime grave, com pena agravada em razão do uso de arma de fogo e do resultado lesivo à vítima.
O episódio reacende atenção para a prática cada vez mais frequente de marcar encontros pessoais para resolver conflitos originados em conversas por aplicativos, situação que autoridades de segurança pública repetidamente recomendam evitar. Especialistas em segurança e autoridades policiais orientam que qualquer ameaça ou desentendimento grave deve ser denunciado e tratado por via judicial, e que acordos informais em situações de tensão aumentam o risco de desfechos violentos.
A investigação seguirá com a análise das imagens das proximidades, o depoimento de testemunhas e a perícia nas armas e no veículo. A polícia também verificará eventuais antecedentes criminais dos envolvidos e as circunstâncias que motivaram o encontro. A vítima e o autor foram atendidos inicialmente pelas equipes do Batalhão de Choque e pelo serviço de emergência, e ambos compareceram a procedimentos médicos e legais que documentarão as lesões e as provas materiais do crime.
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