Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Namorado confessa enforcamento de jovem de 18 anos em Três Lagoas e se apresenta à polícia

Wellington Patrezi, 20 anos, relata discussões constantes por motivos fúteis antes do crime no Bairro Novo Oeste 2; caso é o quarto feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul
Imagem - Eliton Chaves
Imagem - Eliton Chaves

Wellington Patrezi Batista Pereira, de 20 anos, procurou o quartel do 2º Batalhão de Polícia Militar em Três Lagoas na madrugada desta quarta-feira (25) e confessou ter enforcado a namorada Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos. O crime aconteceu por volta das 3h55 em um apartamento na Rua Buriti, no Bairro Novo Oeste 2, a 323 quilômetros de Campo Grande, marcando o quarto feminicídio registrado no estado neste ano.

Os policiais algemaram o suspeito imediatamente e foram ao endereço indicado. Lá encontraram Beatriz sem sinais vitais na cama do quarto. Equipe médica confirmou a morte por asfixia, e a Perícia Científica da Polícia Civil isolou o local para levantamentos técnicos. A Força Tática da PM cercou o apartamento até o fim dos trabalhos periciais.

O casal, natural de Corumbá, morava há três dias com o pai dela na casa alugada. Beatriz trabalhava durante o dia, e Wellington havia chegado recentemente para ficar com a namorada. Ao delegado Gabriel Sales, o rapaz disse que as discussões começaram por coisas pequenas da convivência, como divisão de tarefas e compras da casa.

Na terça-feira (24), um montador instalou um armário novo comprado pelo casal. Beatriz reclamou da montagem, e a briga continuou quando Wellington a buscou no trabalho. De volta ao apartamento, ela cobrou que arcava sozinha com as despesas, apesar de ele ajudar. A discussão escalou quando ela mandou ele sair da casa.

Wellington contou que tentou pegar a chave dela, foi mordido no braço e ouviu novamente que não prestava para nada. Nervoso, ele sentou a namorada na cama e a enforcou com as mãos até ela perder a consciência. Ao perceber o que fez, ligou para o irmão em Corumbá, que o orientou a se entregar à polícia.

O suspeito alegou arrependimento imediato e pensou em suicídio, mas seguiu o conselho familiar. Beatriz e Wellington namoravam há pouco mais de um ano. A jovem se mudou primeiro para Três Lagoas, e ele chegou há três dias para morar juntos na residência do pai dela, um imóvel simples de dois quartos no bairro operário.

Três Lagoas registra seu primeiro feminicídio de 2026. Mato Grosso do Sul acumula quatro casos em dois meses, maioria por asfixia ou arma branca em discussões domésticas. A Delegacia da Mulher investiga histórico do casal, com análise de mensagens e testemunhas de vizinhos que ouviram gritos na noite anterior.

Polícia Civil mantém Wellington preso na Depen de Três Lagoas à espera de audiência de custódia. Peritos coletaram impressões digitais, marcas no pescoço da vítima e fotos do apartamento bagunçado com roupas no chão. Laudo do IML aponta causa da morte em 48 horas, com exame toxicológico para álcool ou drogas.

Bairro Novo Oeste 2 é residencial com casas geminadas e apartamentos alugados para trabalhadores da indústria de celulose, principal economia local. Vizinhos relataram casal reservado, sem brigas públicas anteriores. Pai de Beatriz trabalha em turnos na fábrica e não estava em casa no momento do crime.

Feminicídios crescem em MS com 35 casos em 2025, média de três por mês. Discussões por ciúme, dinheiro e rotina doméstica lideram motivos. Delegacias da Mulher atendem 200 denúncias mensais, com medidas protetivas para 60% das vítimas. Programa de proteção a mulheres reforça patrulhas em bairros vulneráveis.

Autoridades pedem atenção a sinais de violência. Brigas frequentes, isolamento social e controle financeiro precedem crimes graves. Linha 180 oferece orientação 24 horas, e delegacias em Três Lagoas funcionam até 22h. Casos como esse reforçam necessidade de denúncia precoce para quebrar ciclo de agressão.

Investigação segue com depoimentos do irmão, pai da vítima e colegas de trabalho dela. Justiça deve pronunciar Wellington por feminicídio, com pena mínima de 12 anos. Cidade lamenta perda de jovem trabalhadora em apartamento que seria lar do casal.

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