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Mato Grosso do Sul, 17 de abril de 2024
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Navio com ajuda humanitária zarpa rumo a Gaza e inaugura corredor marítimo anunciado pela União Europeia

Entre as centenas de toneladas de alimentos, há produtos como “arroz, farinha, legumes, vegetais enlatados e proteínas”, que serão distribuídos em Gaza
Navio da Open Arms está atracado no porto de Chipre desde meados de fevereiro — Foto: Reprodução/Open Arms
Navio da Open Arms está atracado no porto de Chipre desde meados de fevereiro — Foto: Reprodução/Open Arms

O primeiro navio a inaugurar um corredor marítimo entre o Chipre e a Faixa de Gaza, anunciado na sexta-feira passada pela União Europeia, zarpou nesta terça-feira em direção ao enclave palestino com quase 200 toneladas de alimentos, informou à AFP a Open Arms, ONG espanhola proprietária da embarcação. A porta-voz da organização disse que o navio, que também se chama Open Arms, saiu do porto cipriota de Larnaca às 3h50 (horário de Brasília).

“Zarpamos! A missão conjunta #OpenArms & @WCKitchen parte de Chipre e dirige-se para #Gaza carregada com 200 toneladas de alimentos. Assim, abre-se o corredor humanitário marítimo para a Faixa, numa missão de elevada complexidade que confiamos que será a primeira de muitas que conseguirão aliviar a situação de emergência humanitária que vive a população”, escreveu a organização em uma mensagem na rede social X (antigo Twitter).

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a partida do navio para Gaza foi um “sinal de esperança”. “Faremos tudo ao nosso alcance para que a ajuda chegue aos palestinos”, escreveu em uma publicação no X. O presidente cipriota, Nikos Christodoulides, também saudou a operação, afirmando que estabeleceria uma “tábua de salvação para os civis”. O Chipre é o país da União Europeia mais próximo da Faixa de Gaza, a 370 quilômetros de distância.

Também na semana passada, os EUA anunciaram a criação de um píer temporário em Gaza para facilitar a entrega de ajuda humanitária. O projeto pode levar de 30 a 60 dias para ser desenvolvido, de acordo com autoridades militares. O primeiro navio com o equipamento necessário para a construção do porto partiu no fim de semana, anunciou no sábado o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).

‘Não substitui o que chega por terra’

Entre as centenas de toneladas de alimentos, há produtos como “arroz, farinha, legumes, vegetais enlatados e proteínas”, que serão distribuídos em Gaza pela organização World Central Kitchen (WCK), liderada pelo chef hispano-americano José Andrés. A WCK tem equipes em Gaza desde o início da guerra entre Hamas e Israel iniciada em 7 de outubro, e construiu um cais cuja localização não foi divulgada por razões de segurança para conseguir descarregar a ajuda. São 65 cozinhas comunitárias em Gaza e cerca de 350 mil refeições distribuídas diariamente.

Após quase cinco meses de guerra, a ONU estima que 2,2 milhões de pessoas, a grande maioria da população, estejam ameaçadas pela fome em Gaza, especialmente no norte, onde destruição, combates e saques tornam quase impossível o transporte de ajuda humanitária. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 20 pessoas morreram por inanição pelo menos metade eram menores de idade, segundo anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), quase 2,3 mil caminhões de ajuda entraram em Gaza em fevereiro, com uma média de 82 veículos por dia número é 50% menor que em janeiro. Ainda assim, grupos de ajuda internacional alertam que o envio de ajuda humanitária aérea e marítima não deve substituir adequadamente as entregas em Gaza, é ineficaz e desvia a atenção de medidas mais significativas, como pressionar Israel a levantar o cerco a Gaza.

É mais fácil, mais rápido e mais barato, especialmente se soubermos que precisamos sustentar a assistência humanitária para os habitantes de Gaza por um longo período de tempo afirmou a coordenadora de ajuda da ONU para o território palestino, Sigrid Kaag, em uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança na quinta passada, assegurando que “o ar ou o mar não substituem o que precisamos ver chegar por terra.”

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