A imunização infantil acaba de dar um passo importante em Mato Grosso do Sul. Desde o início de 2025, o Estado passou a integrar a nova estratégia nacional de combate à meningite com a incorporação da vacina meningocócica ACWY no calendário público de vacinação infantil. Com mais de 50 mil doses recebidas do Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado de Saúde já iniciou a distribuição aos 79 municípios sul-mato-grossenses, garantindo o abastecimento de toda a rede básica de saúde.
A mudança representa um avanço significativo na proteção de crianças contra uma das doenças mais graves e silenciosas da infância. A meningite, especialmente a do tipo bacteriana, é potencialmente fatal e pode evoluir de forma rápida, muitas vezes sem dar tempo para uma resposta clínica eficaz. A inclusão da vacina ACWY, que protege contra quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis (A, C, W e Y), busca ampliar a barreira imunológica da população infantil e reduzir a incidência de casos graves e óbitos.
A nova dose passou a ser aplicada gratuitamente pelo SUS em crianças de 12 meses, substituindo a antiga vacina meningocócica C, que até então era utilizada como reforço nessa faixa etária. A medida segue recomendação expressa na Nota Técnica nº 77/2024 do Ministério da Saúde e está alinhada às Diretrizes Brasileiras para Enfrentamento das Meningites até 2030, além do plano global da Organização Mundial da Saúde.
Em Mato Grosso do Sul, a expectativa é vacinar ao menos 44.118 crianças nesta primeira etapa. Segundo o Coordenador Estadual de Imunização da SES, Frederico Moraes, a inclusão da vacina no calendário é estratégica para consolidar a cobertura vacinal e ampliar a proteção ainda nos primeiros anos de vida. “É fundamental que os pais e responsáveis levem as crianças às unidades de saúde. A meningite é uma doença grave e que pode ser evitada com a vacina. Esse reforço aos 12 meses amplia a proteção em uma fase crucial do desenvolvimento infantil”, pontua.
A logística de entrega das doses segue durante o mês de julho, dentro da programação regular de abastecimento do PNI (Programa Nacional de Imunizações). Em 2024, o Estado já havia alcançado mais de 100% de cobertura na aplicação da meningocócica C, e agora a meta é manter os bons índices com o novo imunizante ACWY.
A vacina ACWY já era ofertada anteriormente na rede pública, porém restrita a adolescentes entre 11 e 14 anos. Com a ampliação, ela passa a fazer parte da rotina vacinal de crianças ainda mais novas, o que potencializa sua eficácia como ferramenta preventiva. A proteção simultânea contra quatro sorogrupos eleva o nível de segurança da população e contribui para o controle da circulação da bactéria nas comunidades.
A Secretaria de Estado de Saúde reforça que mantém contato direto com os coordenadores de imunização em todos os municípios, oferecendo suporte técnico e orientações para garantir a correta aplicação da nova dose. As unidades básicas de saúde já estão preparadas para receber as famílias, que devem procurar atendimento o quanto antes para atualizar a caderneta vacinal das crianças.
Especialistas alertam que a meningite bacteriana continua sendo uma ameaça real, especialmente entre bebês e crianças pequenas. Os sintomas iniciais da doença podem incluir febre alta repentina, rigidez na nuca, vômitos, dor de cabeça intensa, sensibilidade à luz, sonolência excessiva, confusão mental, convulsões e, em bebês, choro persistente, irritabilidade e fontanela (moleira) tensa. Por sua evolução rápida e agressiva, a meningite exige diagnóstico imediato e tratamento hospitalar urgente.
Quando não tratada a tempo, a meningite pode levar a sequelas graves, como perda auditiva, problemas neurológicos, amputações, paralisias, atraso no desenvolvimento infantil e, em casos mais extremos, à morte. Por isso, a adesão da população à campanha de vacinação é essencial para interromper cadeias de transmissão e garantir proteção coletiva.
Com essa nova etapa, o sistema público de saúde amplia seu compromisso com a prevenção, ofertando gratuitamente uma das vacinas mais completas e eficazes disponíveis atualmente. A expectativa das autoridades é de que, com a introdução da ACWY e a continuidade das campanhas de conscientização, o Estado mantenha sua posição de destaque em cobertura vacinal no país. A vacina salva vidas, e o acesso garantido pelo SUS representa uma conquista coletiva da saúde pública.
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