Uma ofensiva da Vigilância Sanitária Estadual resultou na apreensão de aproximadamente R$ 4 milhões em medicamentos emagrecedores irregulares durante os primeiros dez dias da operação Visa Protege, realizada no Centro de Triagem dos Correios em Campo Grande. A ação revelou um esquema de envio clandestino de substâncias proibidas, incluindo anabolizantes, testosterona, medicamentos abortivos e suplementos alimentares sem autorização.
Ao todo, foram recolhidos 6,2 mil itens considerados irregulares. Desse total, 4,3 mil eram ampolas e canetas injetáveis utilizadas como emagrecedores, cada uma avaliada em cerca de R$ 900 no mercado ilegal. O volume impressiona tanto pelo valor estimado quanto pelo potencial risco à saúde pública.
As encomendas estavam distribuídas em diferentes tipos de embalagens, muitas delas sem qualquer identificação clara do conteúdo. Os remetentes, em grande parte pessoas físicas que residem em cidades da região de fronteira, utilizavam o serviço postal para despachar os produtos a diversos destinos. Parte significativa das remessas tinha como destino municípios de Mato Grosso do Sul, enquanto outras seguiam para estados do Nordeste, onde o preço de revenda pode chegar a até três vezes o valor inicial.
A fiscalização intensificada no centro logístico permitiu rastrear padrões suspeitos nas encomendas, como volumes repetidos para um mesmo destinatário ou envios frequentes com características semelhantes. A operação faz parte de uma estratégia de monitoramento permanente, voltada ao combate do comércio irregular de medicamentos e substâncias controladas.
Todo o material apreendido permanecerá sob custódia pelo prazo legal e, posteriormente, será incinerado, conforme determina a legislação sanitária. Paralelamente, as informações coletadas durante as inspeções serão encaminhadas às autoridades policiais para aprofundamento das investigações criminais. A apuração busca identificar fornecedores, intermediários e possíveis distribuidores que atuam na cadeia clandestina.
De acordo com a fiscalização estadual, além de terem circulação proibida no território nacional quando não possuem registro adequado, medicamentos só podem ser comercializados por farmácias e drogarias devidamente licenciadas. A venda por pessoas físicas ou estabelecimentos não autorizados, especialmente por meio da internet e redes sociais, é considerada irregular e sujeita a penalidades.
O alerta das autoridades é direto. O uso de emagrecedores sem registro sanitário, sem prescrição médica e sem acompanhamento profissional pode trazer consequências graves. Há relatos de complicações agudas, reações adversas severas e até mortes associadas ao consumo dessas substâncias no Brasil e no exterior. Muitos desses produtos entram no País sem controle de qualidade, sem garantia de procedência e sem informação adequada ao consumidor.
A procura por fórmulas para perda rápida de peso tem alimentado um mercado clandestino que se espalha pelas redes sociais e aplicativos de mensagens. Influenciadores digitais e perfis anônimos, muitas vezes, divulgam os produtos como soluções milagrosas, sem qualquer respaldo científico ou autorização legal. A operação Visa Protege busca justamente frear esse tipo de prática e reduzir o risco à população.
A Vigilância Sanitária reforça que denúncias sobre venda irregular de medicamentos ou propaganda ilegal podem ser feitas pelo telefone 136. A colaboração da sociedade é considerada fundamental para ampliar o alcance das ações de fiscalização e impedir que substâncias proibidas cheguem aos consumidores.
A apreensão milionária em apenas dez dias evidencia a dimensão do comércio clandestino que utiliza o sistema de entregas para driblar a fiscalização. Com a continuidade da operação, a expectativa é intensificar o controle sobre encomendas suspeitas e ampliar o cerco contra redes que lucram com a exposição da população a riscos invisíveis.
O combate à circulação de medicamentos ilegais é tratado como prioridade pelas autoridades sanitárias. A meta é proteger a saúde pública, garantir que apenas produtos regularizados estejam disponíveis no mercado e responsabilizar quem insiste em transformar a busca por resultados estéticos em um negócio perigoso e fora da lei.
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