Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Operação Iscariotes revela nomes de policiais presos e expõe infiltração do crime organizado na segurança pública

Ação da Polícia Federal contra contrabando em Mato Grosso do Sul atinge agentes da ativa, bloqueia R$ 40 milhões e desmonta rede com atuação em vários estados
Imagem - Madu Livramento
Imagem - Madu Livramento

A ofensiva da Polícia Federal do Brasil contra um esquema estruturado de contrabando em Mato Grosso do Sul avançou sobre integrantes das forças de segurança pública e revelou o nível de infiltração do crime organizado em instituições estatais. A Operação Iscariotes, realizada em conjunto com a Receita Federal do Brasil, resultou na prisão de policiais civis e no bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em bens e valores.

Entre os presos estão os investigadores Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca. As prisões ocorreram em diferentes circunstâncias: Célio foi detido em Sidrolândia, enquanto Quevedo foi preso em sua residência, em Campo Grande.

As investigações apontam que a organização criminosa recrutava agentes públicos para facilitar o transporte e a distribuição de mercadorias ilegais. Policiais, tanto da ativa quanto aposentados, teriam utilizado acesso privilegiado a sistemas internos para repassar informações sigilosas e monitorar operações de fiscalização, garantindo vantagem ao grupo.

O esquema tinha como base a importação irregular de eletrônicos de alto valor agregado, que ingressavam no país sem documentação fiscal e sem passar pelos controles aduaneiros. Após a entrada ilegal, os produtos eram distribuídos principalmente em Mato Grosso do Sul e enviados para centros urbanos de Minas Gerais, como Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros.

A logística envolvia o uso de veículos adaptados com compartimentos ocultos, permitindo o transporte das mercadorias de forma discreta. Parte dos produtos era fracionada e escondida em cargas legais, dificultando a identificação durante abordagens.

Durante a operação, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em delegacias e residências de investigados. Em Dourados e na Capital, equipes também realizaram diligências em imóveis ligados aos suspeitos, incluindo condomínios de alto padrão.

Os dados levantados indicam que Célio Rodrigues Monteiro já havia sido alvo de outras operações policiais, o que reforça a linha investigativa de atuação recorrente em atividades ilícitas. Já Edivaldo Quevedo da Fonseca possui histórico na Polícia Civil com atuação em diferentes unidades, incluindo a 5ª Delegacia.

A operação também trouxe à tona episódios anteriores envolvendo Quevedo. Registros apontam envolvimento em ocorrências de confusão em estabelecimentos noturnos e situações de uso de arma de fogo em episódios de desordem pública, fatos que agora passam a ser analisados dentro de um contexto mais amplo de conduta funcional.

No campo operacional, a Justiça determinou quatro prisões preventivas, além de medidas cautelares como afastamento de funções públicas, monitoramento eletrônico e suspensão do porte de armas. Ao todo, 31 mandados de busca e apreensão foram executados.

O bloqueio financeiro atingiu 12 pessoas físicas e jurídicas, com valores estimados em R$ 40 milhões. Também foram sequestrados imóveis, veículos e houve suspensão das atividades de empresas ligadas ao esquema, ampliando o impacto da operação sobre a estrutura financeira da organização.

No Camelódromo de Campo Grande, quatro estabelecimentos ligados a uma mesma família foram interditados. A retirada de grande volume de eletrônicos chamou a atenção de comerciantes e frequentadores, evidenciando a dimensão do comércio irregular mantido pelo grupo.

A operação contou com apoio de corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, reforçando o caráter integrado da ação.

As investigações seguem em andamento e buscam identificar outros envolvidos, além de aprofundar a análise sobre o papel de agentes públicos no esquema. A apuração também pretende mapear o fluxo financeiro e a extensão da atuação interestadual da organização.

A Operação Iscariotes expõe um cenário de vulnerabilidade institucional, ao revelar a participação de agentes responsáveis pela segurança pública em atividades criminosas. O avanço das investigações deverá indicar novos desdobramentos e possíveis responsabilizações, ampliando o alcance das medidas judiciais.

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