Preso há quase 2 meses, o rapper Oruam, 25 anos, passou cerca de dez dias em uma cela de isolamento. Depois, foi para uma cela coletiva. Está compondo um novo álbum com temáticas de encarceramento e perseguição policial.
Os versos são escritos em um pequeno caderno sem linhas que um dos advogados lhe deu.
Crianças que vão visitar os pais no presídio Serrano Neves, parte do Complexo Penitenciário de Gericinó, pedem autógrafo ao músico, que tem sentido a angústia de estar longe do seu público, com medo de ser esquecido, segundo relatos de familiares e advogados.
Ao mesmo tempo em que Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, espera um desfecho para o seu caso, sua defesa aguarda a apreciação de um habeas corpus por parte do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, argumentando que a prisão tem uma série de inconsistências.
“E se ele compuser um rap dizendo que o delegado de polícia, que vai buscar às 11 horas da noite, dá um tapaço na cara do garoto, depois o subjuga. Vão chamar isso de proibidão. Quando, na verdade, proibido devia ser o delegado dar um tapaço na cara de quem está prendendo”, afirma Nilo Batista, um dos advogados do artista.
O tapa ao qual o advogado se refere aparece em um dos vídeos enviados à Folha pela defesa, que mostra o delegado Moysés Santana Gomes, agredindo um dos jovens que estavam presentes na noite da diligência que levou à prisão de Oruam.
Os advogados que representam o cantor elencaram o que consideram ser uma lista de inconsistências na denúncia, que aponta tentativa de homicídio pelo arremesso de pedras contra os policiais.
A defesa enumera perícias inconclusivas em relação a uma suposta arma de fogo atribuída pela polícia ao cantor, a abertura do inquérito fora da jurisdição, a acusação sem nenhuma comprovação de tráfico de drogas nem de associação ao tráfico e contradições sobre a letalidade das pedras arremessadas contra os agentes policiais.
Procurada, a Polícia Civil defendeu sua atuação no caso e afirmou agir dentro da legalidade.
Oruam foi preso no dia 22 de julho, após um incidente ocorrido na noite anterior, quando policiais civis foram até o endereço dele no bairro Joá, no Rio de Janeiro, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente que estava na casa do cantor. O jovem, menor de 18 anos, estaria descumprindo uma medida sócio educativa.