A Prefeitura de Campo Grande oficializou a retomada do estacionamento rotativo no centro da cidade, após anos de impasses que suspenderam o serviço, com a publicação da nova lei e decreto que autorizam a concessão para que a iniciativa privada opere o sistema. A medida nasce em um momento crucial para organizar o fluxo urbano e revitalizar o comércio na região central, onde a demanda por vagas regulamentadas é crescente e a circulação de veículos é intensa.
O projeto estabelece a oferta de até 6,2 mil vagas ao longo da implantação, sendo que a primeira fase contemplará cerca de 3 mil vagas distribuídas em 37 ruas e avenidas do quadrilátero central. As regras definem uma permanência mínima de 15 minutos e máxima de 2 horas por vaga, sem possibilidade de prorrogação, buscando garantir rodízio e maior acesso para consumidores e trabalhadores.
A tarifa inicial foi cobrada em R$ 5 por hora, com cobrança proporcional ao tempo utilizado durante os dias úteis das 8h às 18h e aos sábados até as 13h, deixando domingos e feriados livres de cobrança. O pagamento se dará por vias digitais, como aplicativos de celular e totens em pontos estratégicos, abolindo os parquímetros tradicionais.
A fiscalização será realizada por meio de veículos equipados com tecnologia OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres), capaz de identificar automaticamente as placas e verificar se o uso da vaga foi devidamente registrado. Tal inovação promove agilidade e redução da burocracia no controle do uso do espaço público.
O modelo prevê que 80% dos recursos arrecadados serão destinados à Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), enquanto 20% serão direcionados à Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg). Estes fundos serão aplicados em melhorias na mobilidade, trânsito e fiscalização, contribuindo para um sistema mais eficiente e sustentável.
A retomada do estacionamento rotativo também se insere num contexto maior de discussão sobre mobilidade urbana, especialmente no que tange ao Fundo Municipal de Mobilidade Urbana, que está em avaliação na Câmara Municipal. Este fundo seria fundamental para garantir recursos para a continuidade dos serviços e para a sustentabilidade financeira do transporte coletivo, cujo concessionário, o Consórcio Guaicurus, detém o monopólio e já acumulou lucros milionários desde 2012, além de isenções fiscais significativas.
A proposta é vista com otimismo por setores comerciais que sinalizam para o impacto direto da rotatividade no acesso às lojas, fortalecendo o movimento e a competitividade no centro da cidade. No entanto, a questão permanece cercada por debates políticos e económicos, sobretudo sobre o prazo da concessão — actualmente fixado em 12 anos — e sobre a transparência e fiscalização da utilização dos recursos arrecadados.
A lista das vias que possuem vagas regulamentadas inclui corredores importantes, como avenidas Mato Grosso e Afonso Pena, ruas 15 de Novembro, 7 de Setembro, Calógeras, entre outras, abrangendo um quadrilátero que concentra grande parte do comércio e serviços essenciais da capital.
O desafio maior reside em garantir que, além da implantação física do sistema, sejam soluções efetivas para enfrentar problemas antigos de estacionamento, congestionamento e distribuição da qualidade de vida urbana, mensurando resultados claros em benefício da população.
Este avanço poderá representar um passo decisivo para a modernização das políticas públicas urbanas em Campo Grande, modificando o estacionamento rotativo não apenas num mecanismo de arrecadação, mas num vetor de mobilidade inteligente, inclusão social, e dinamismo econômico.
#CampoGrande #EstacionamentoRotativo #Parquímetro #MobilidadeUrbana #Agetran #Agereg #ConsórcioGuaicurus #TransporteColetivo #GestãoPública #FinanciamentoUrbano #Infraestrutura #TrânsitoSeguro