O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 0,48% em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 9 de outubro. O resultado representa um aumento de 0,59 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando o índice havia registrado queda de 0,11%. Apesar da desaceleração no ritmo de alta de diversos produtos, especialmente alimentos e bebidas, a inflação continua sendo influenciada por variações expressivas em energia elétrica e outros itens de habitação.
No acumulado do ano, a inflação atinge 3,64%, enquanto nos últimos 12 meses o índice chega a 5,17%. Em setembro de 2024, a variação havia sido de 0,44%. O grupo Alimentação e bebidas apresentou deflação pelo quarto mês consecutivo, com queda de 0,26%, refletindo diretamente na alimentação no domicílio, que recuou 0,41%. Entre os produtos que registraram as maiores quedas estão tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%), batata-inglesa (-8,55%) e arroz (-2,14%). Já entre as altas, sobressaíram frutas (2,40%) e óleo de soja (3,57%).
A alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de 0,50% em agosto para 0,11% em setembro. O subitem lanche apresentou variação de 0,53%, enquanto refeições recuaram 0,16%. Para Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, “o grupamento dos alimentos para consumo em casa segue com variações negativas, dada a maior oferta dos produtos, o que possivelmente já reflete na alimentação fora, com a queda nos preços na refeição”.
Outros grupos também apresentaram deflação, como Comunicação (-0,17%) e Artigos de residência (-0,40%), com impactos negativos modestos no índice geral. Por outro lado, Educação (0,07%), Saúde e cuidados pessoais (0,17%), Vestuário (0,63%) e Despesas pessoais (0,51%) exerceram influência positiva sobre o IPCA. O destaque do mês foi o grupo Habitação, que registrou alta de 2,97%, a maior desde fevereiro de 2025, com impacto de 0,45 ponto percentual no índice total. A variação se deve principalmente à energia elétrica residencial, que subiu 10,31% em setembro, após queda de 4,21% em agosto, em função do fim do Bônus de Itaipu e da manutenção da bandeira tarifária vermelha patamar 2.
Nos Transportes, o índice registrou variação mínima de 0,01%, com impacto nulo, refletindo a alta em combustíveis como etanol (2,25%), gasolina (0,75%) e óleo diesel (0,38%), contraposta à queda do gás veicular (-1,24%) e da passagem aérea (-2,83%). Entre os serviços, observou-se desaceleração, com alimentação fora do domicílio recuando de 0,50% para 0,11%, enquanto o agregado de preços monitorados acelerou de -0,61% para 1,87%, influenciado principalmente pela energia elétrica e pela gasolina.
A difusão do índice, indicador que mede a proporção de itens com variação positiva, caiu de 57% em agosto para 52% em setembro. No grupo alimentício, houve ligeiro aumento, passando de 47% para 48%, enquanto nos não alimentícios houve queda de 65% para 56%. A maior variação regional foi registrada em São Luís (1,02%), influenciada por energia elétrica residencial (27,30%) e café moído (4,31%), enquanto Salvador apresentou o menor aumento (0,17%), refletindo quedas em tomate (-20,08%) e seguro voluntário de veículos (-6,36%).
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), voltado para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, registrou alta de 0,52% em setembro, acumulando 3,62% no ano e 5,10% em 12 meses. Nos produtos alimentícios, a variação passou de -0,54% em agosto para -0,33% em setembro, enquanto nos não alimentícios ocorreu aumento de -0,10% para 0,80%.
A pesquisa evidencia a complexidade da inflação atual, marcada por quedas consecutivas em alimentos essenciais, mas pressionada por custos de energia elétrica, combustíveis e serviços pessoais. O cenário demonstra que, embora o consumidor possa observar preços mais baixos em itens do dia a dia, os gastos essenciais como eletricidade e transportes ainda pesam significativamente no orçamento das famílias brasileiras.
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