Mato Grosso do Sul, 26 de junho de 2026
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Polícia Federal desmonta quadrilha que fraudava o INSS há mais de uma década

Operação revela rede criminosa sofisticada com envolvimento de servidores públicos, bancários e especialistas em falsificações; prejuízo estimado ultrapassa R$ 30 milhões
Polícia Federal/Divulgação
Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 17 de julho, a Operação Fraus, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável por um esquema milionário de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O grupo operava de forma estruturada há mais de dez anos no estado do Rio de Janeiro, e os danos aos cofres públicos já somam mais de R$ 30 milhões, segundo estimativas preliminares das autoridades.

A investigação, que teve início a partir de um relatório do Núcleo Regional de Inteligência Previdenciária e Trabalhista (Nuint-RJ), vinculado ao Ministério da Previdência Social, revelou que os criminosos atuavam principalmente na concessão irregular de benefícios assistenciais do tipo BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada). Utilizando documentos falsos, acessos privilegiados à plataforma Meu INSS e contando com apoio de servidores e profissionais de setores estratégicos, a quadrilha formalizou pelo menos 415 requerimentos fraudulentos em apenas seis meses, gerando um prejuízo imediato de R$ 1,6 milhão.

No entanto, a PF acredita que o esquema seja muito mais amplo. Estima-se que, ao longo da década de atuação, o grupo tenha movimentado ilegalmente dezenas de milhões de reais.

A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro, incluindo a capital, Armação dos Búzios, Cabo Frio, São Gonçalo e Casimiro de Abreu. As ordens judiciais foram expedidas pela 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

As investigações revelaram uma estrutura altamente especializada, com participação de gerentes bancários, servidores do INSS, profissionais gráficos e correspondentes bancários. Cada integrante tinha uma função bem definida: uns falsificavam documentos, outros inseriam dados na plataforma oficial, e alguns cuidavam da abertura de contas bancárias para o saque dos valores. Segundo a PF, alguns gerentes cobravam R$ 500 por cada conta aberta. Já os benefícios irregulares eram “vendidos” a terceiros por até R$ 2.500 ou permaneciam sob controle da quadrilha, que seguia realizando os saques mensalmente.

Um dos líderes do esquema, conhecido entre os comparsas como “Rei do Benefício” e “Professor”, era o responsável por ensinar os demais como burlar o sistema e conduzir as fraudes sem levantar suspeitas. O volume de pedidos fraudulentos era tão alto que, em muitos casos, os criminosos nem conseguiam abrir todas as contas bancárias para os saques, o que levou à suspensão de diversos benefícios por falta de movimentação.

O relatório que deu origem à investigação apontava anomalias específicas na Agência da Previdência Social de Arraial do Cabo. A partir dessas informações, os investigadores conseguiram mapear uma rede articulada que operava com alto grau de sofisticação e com divisão clara de tarefas, o que facilitava a continuidade dos crimes ao longo dos anos.

Os envolvidos poderão ser indiciados por estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, uso de documentos falsos e associação criminosa. A Polícia Federal seguirá com o trabalho de identificação de outros possíveis integrantes e beneficiários do esquema, além de aprofundar o rastreamento financeiro para recuperação dos valores desviados.

A Operação Fraus é mais um exemplo de como redes criminosas vêm se sofisticando para explorar brechas no sistema previdenciário brasileiro. Ao mesmo tempo, destaca a importância da integração entre os órgãos de controle e inteligência para detectar e punir essas fraudes que, silenciosamente, drenam recursos públicos destinados à população em situação de vulnerabilidade.

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