Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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Polícia Federal detalha suposta rede com hackers, inteligência artificial e grupos de intimidação ligados a Daniel Vorcaro

Investigação aponta atuação de núcleo digital para ataques virtuais e monitoramento clandestino, além de grupo suspeito de pressão física envolvendo policiais, milicianos e operadores financeiros
Foto: Divulgação/Polícia Federal
Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal aprofundou as investigações sobre uma suposta estrutura criminosa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e revelou detalhes sobre o funcionamento de um esquema que envolveria ataques cibernéticos, monitoramento ilegal, uso de inteligência artificial, falsificação de documentos públicos e ações de intimidação física contra pessoas consideradas adversárias dos interesses do grupo.

O caso ganhou grande repercussão após a divulgação de informações relacionadas à Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes financeiros, tecnológicos e organização criminosa com atuação em diferentes estados do país.

Segundo os investigadores, a estrutura investigada teria sido montada de forma sofisticada, com divisão clara de funções e utilização de tecnologia avançada para monitoramento clandestino, derrubada de perfis em redes sociais e coleta de informações sigilosas. Os relatórios apontam ainda a existência de um segundo núcleo responsável por ações presenciais de pressão, ameaças e intimidação contra alvos específicos.

A investigação descreve que o esquema estaria dividido em dois braços operacionais. O primeiro atuaria no ambiente digital e seria formado por hackers e especialistas em tecnologia. Já o segundo núcleo reuniria pessoas ligadas à segurança privada, policiais da ativa e aposentados, além de indivíduos investigados por ligação com milícias e organizações criminosas.

De acordo com a apuração, o grupo responsável pelas operações tecnológicas era conhecido internamente como “Os Meninos”. A Polícia Federal afirma que esse núcleo executava invasões de sistemas, rastreamento de dados, monitoramento clandestino e ações voltadas à remoção de conteúdos da internet. A suspeita é de que ferramentas de inteligência artificial também fossem utilizadas para automatizar operações digitais e ampliar o alcance das ações.

Entre os nomes citados pela investigação está o de David Henrique Alves, de 23 anos, apontado como coordenador do braço tecnológico da organização. Conforme os documentos analisados pela PF, ele receberia pagamento mensal de R$ 35 mil pelos serviços prestados ao grupo. A investigação aponta ainda que o suspeito seria responsável por coordenar operações de tecnologia e gerenciamento de dados utilizados pelo esquema.

Os investigadores relataram que David foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal durante uma fiscalização enquanto transportava equipamentos eletrônicos, incluindo computadores e notebooks. Como ainda não existia ordem judicial contra ele naquele momento, acabou liberado. Posteriormente, com o avanço das investigações, passou a ser considerado foragido da Justiça.

Outro nome mencionado no inquérito é o de Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai durante ação conjunta envolvendo autoridades brasileiras, Interpol e forças de segurança dos Emirados Árabes Unidos. Em depoimento prestado após retornar ao Brasil, Victor afirmou que realizava serviços tecnológicos para o grupo desde o ano passado, incluindo desenvolvimento de softwares e sistemas voltados às operações investigadas.

Ainda conforme os autos, Victor declarou que recebia salário mensal e bonificações por desempenho dentro da estrutura. A Polícia Federal investiga se os programas desenvolvidos eram utilizados para espionagem, monitoramento ilegal ou ações de manipulação digital em plataformas online.

Além do núcleo cibernético, a investigação também revelou a existência de um grupo conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por ações presenciais de intimidação. Segundo a PF, esse braço operacional seria utilizado para pressionar pessoas consideradas obstáculos aos interesses do esquema investigado.

Os relatórios policiais apontam que o grupo reunia policiais federais da ativa, agentes aposentados, operadores ligados ao jogo ilegal e integrantes de milícias. A suspeita é de que essas pessoas atuassem em ações de monitoramento presencial, cobranças, intimidação e proteção de interesses financeiros ligados à organização investigada.

A Polícia Federal também cita Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, como um dos responsáveis pela manutenção e financiamento da estrutura operacional investigada. Os investigadores analisam movimentações financeiras, contatos telefônicos e registros de comunicação entre os suspeitos para entender a dimensão do suposto esquema.

Entre os episódios citados pela investigação está uma suposta ação direcionada ao jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. A PF investiga se houve monitoramento ou tentativa de intimidação contra profissionais da imprensa que publicaram informações relacionadas ao caso e aos negócios investigados.

A operação conduzida pela Polícia Federal conta com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por analisar medidas cautelares relacionadas ao caso. A sexta fase da Operação Compliance Zero ampliou o foco das apurações e abriu novas linhas investigativas envolvendo crimes cibernéticos, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de investigações.

As autoridades também investigam possíveis conexões internacionais da estrutura, principalmente após a prisão de um dos investigados no exterior. O objetivo agora é identificar toda a cadeia de comando, eventuais financiadores e pessoas beneficiadas pelas operações suspeitas.

Com o avanço das investigações, a Polícia Federal trabalha na análise de equipamentos eletrônicos apreendidos durante as operações. Computadores, celulares, documentos e registros digitais estão sendo periciados para identificar novos envolvidos e possíveis vítimas do esquema.

O caso provocou forte repercussão no meio político, jurídico e empresarial por envolver denúncias de espionagem ilegal, uso de tecnologia para monitoramento clandestino e suspeitas de atuação organizada para intimidar adversários. A investigação segue em andamento sob sigilo parcial e novas medidas judiciais não estão descartadas pelas autoridades federais.

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