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Mato Grosso do Sul, 3 de março de 2024
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Polícia Federal encontra provas de obstrução na Abin após início da investigação

Dados de 30 mil monitoramentos foram recuperados pela Polícia Federal (PF), que averiguou que informações foram deletadas recentemente
Imagem - Wilton Junior
Imagem - Wilton Junior

A Polícia Federal (PF) confirmou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apagou os dados dos 30 mil monitoramentos alvos da Operação Última Milha após o início do inquérito sobre o uso do sistema First Mile, reforçando a suspeita de que houve uma tentativa de obstruir a investigação.

Os arquivos apagados já foram restaurados, segundo fontes a par da investigação, e a PF tenta agora descobrir quem foi o usuário da Abin responsável pela tentativa de eliminar as provas.

O pedido da PF para fazer uma busca e apreensão na última sexta-feira (20/10) veio justamente porque se suspeitava que agentes da Abin estavam atuando para obstruir a investigação.

Em várias ocasiões, segundo integrantes da PF, a Abin negou pedidos de acesso aos arquivos e às máquinas nas quais era usado o First Mile. A agência, por outro lado, nega que tenha se recusado a fornecer informações e disse que enviou todos os dados que estavam à disposição.

A suspeita de que a cúpula da Abin estava tentando obstruir a investigação vem desde o primeiro semestre, quando o caso veio à tona.

Em março, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, pediu a abertura de um inquérito para apurar o caso após reportagem de Dimitrius Dantas, Patrik Camporez e Thiago Bronzatto mostrar que o First Mile pode ter sido usado para monitorar pessoas de maneira ilegal.

Em seguida, logo após a instauração do inquérito, a Abin pediu que o caso não tramitasse em primeira instância, alegando que a investigação envolvia informações sensíveis de segurança nacional. O ministro Alexandre de Moraes acatou o pedido, e o inquérito foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse contexto, a Abin sustentava também que o uso irregular do First Mile já estava sendo investigado em uma sindicância interna e, por isso, não haveria necessidade de envolver a PF.

Recentemente, a Controladoria-Geral da União (CGU) avocou essa sindicância, temendo não haver isenção na investigação dentro da Abin. A medida da CGU alertou os investigadores da PF de que seria importante realizar busca e apreensão para garantir a integridade das provas.

Segundo fontes da PF, os 20 depoimentos de agentes da Abin na última sexta-feira demonstram como os servidores não estavam se sentindo à vontade em colaborar com a investigação interna, pois são muito mais detalhados e completos do que os testemunhos feitos no âmbito da sindicância da Abin.

Algo que pode ter desincentivado servidores a colaborarem com a investigação interna, na avaliação da PF, é que um dos responsáveis pela aquisição do sistema, Paulo Maurício Fortunato, é o número 3 da agência na atual gestão. Ele foi alvo de busca e apreensão na sexta-feira.

A PF agora está trabalhando em individualizar a conduta dos agentes da Abin envolvidos na suposta tentativa de obstruir a investigação, além de apurar mais detalhes sobre como o sistema era utilizado para monitorar adversários políticos do governo Jair Bolsonaro, como jornalistas, políticos e advogados.

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