Mato Grosso do Sul, 23 de julho de 2026
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Policiais foram rendidos e executados durante ataque a posto policial na fronteira, revela perícia

Exames apontam disparos à queima-roupa, sinais de execução e queimaduras nos corpos após invasão armada que destruiu unidade policial próxima à divisa com Mato Grosso do Sul
Carro em chamas após ataque a posto da Polícia Nacional na fronteira
Carro em chamas após ataque a posto da Polícia Nacional na fronteira

A investigação sobre o violento ataque contra um posto policial na região de fronteira com Mato Grosso do Sul ganhou novos desdobramentos após a divulgação dos exames periciais realizados nas vítimas. Os laudos revelam que dois policiais não morreram durante a troca de tiros inicial, mas foram dominados pelos criminosos e executados à queima-roupa, indicando uma ação planejada e marcada por extrema violência.

As informações reforçam a linha de investigação de que o grupo armado agiu com estratégia militar, eliminando os agentes já rendidos antes de incendiar completamente a unidade policial e os veículos que estavam no local. O episódio provocou forte repercussão entre autoridades paraguaias e também mobilizou forças de segurança brasileiras devido à proximidade da ocorrência com a fronteira de Mato Grosso do Sul.

Os exames periciais revelaram detalhes que chamaram a atenção dos investigadores pela brutalidade empregada pelos criminosos. Um dos policiais apresentava inicialmente três ferimentos provocados por disparos nas costas. Os projéteis atingiram a região torácica e causaram lesões pulmonares com intenso sangramento interno.

Apesar da gravidade desses ferimentos, a perícia concluiu que eles não seriam suficientes para provocar a morte imediata do agente. O exame apontou que a vítima ainda estava viva quando foi submetida ao disparo fatal.

O laudo identificou que o tiro que provocou a morte foi efetuado diretamente dentro da boca do policial. Durante os exames, foram encontrados resíduos de pólvora na língua, evidência compatível com um disparo realizado com o cano da arma encostado na vítima.

Esse tipo de lesão é considerado pelos peritos um forte indicativo de execução, já que demonstra total domínio da vítima por parte dos autores no momento do disparo.

O segundo policial também apresentou sinais que reforçam essa conclusão. Conforme os exames, ele foi inicialmente atingido por um disparo na região da axila direita. O projétil atravessou estruturas importantes do tórax, rompendo vasos sanguíneos e atingindo diretamente o coração.

Mesmo depois desse primeiro disparo, os criminosos efetuaram um segundo tiro diretamente na cabeça do policial, também realizado a curta distância.

Segundo a análise pericial, a sequência dos ferimentos indica que os autores decidiram garantir a morte do agente mesmo após os primeiros disparos, comportamento frequentemente associado a execuções deliberadas.

Além dos dois policiais, um funcionário civil que estava na unidade também perdeu a vida durante o ataque. A perícia sobre esse terceiro corpo ainda deverá esclarecer a dinâmica exata da morte e identificar se ele também foi vítima de execução ou morreu durante o confronto inicial.

Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi a presença de queimaduras graves nos corpos dos dois policiais.

Os exames apontaram queimaduras de segundo e terceiro graus concentradas principalmente na parte frontal dos corpos. Em vários pontos, os uniformes permaneceram aderidos à pele devido à intensidade do calor provocado pelo incêndio.

Os peritos agora trabalham para esclarecer se os corpos foram incendiados exatamente no local onde ocorreram as execuções ou se foram movimentados antes de o prédio ser consumido pelas chamas.

Essa informação poderá ajudar a reconstruir toda a dinâmica da ação criminosa e identificar cada etapa da invasão.

A conclusão preliminar dos exames fortalece a hipótese de que os policiais já estavam completamente dominados quando foram mortos.

Segundo os especialistas, as características das lesões são incompatíveis com uma troca intensa de tiros em movimento e indicam que as vítimas perderam qualquer possibilidade de reação antes dos disparos finais.

O ataque ocorreu durante a noite, quando um grande grupo fortemente armado invadiu o posto policial localizado na Colônia Naranjito, a aproximadamente 30 quilômetros de Sete Quedas, na fronteira entre Brasil e Paraguai.

As estimativas apontam que entre 20 e 30 criminosos participaram da ação.

Os invasores chegaram utilizando armamento pesado e abriram fogo contra a unidade policial, surpreendendo os agentes que estavam de serviço.

Após dominar completamente o local, os criminosos incendiaram o prédio e quatro veículos utilizando artefatos incendiários improvisados, conhecidos como coquetéis molotov.

As chamas destruíram grande parte da estrutura da unidade policial, dificultando inicialmente o trabalho da perícia.

Durante a inspeção técnica foram recolhidos diversos cartuchos deflagrados de fuzis calibres 5,56 e 7,62, armamentos normalmente empregados em confrontos de alta intensidade.

As evidências indicam que os criminosos utilizaram grande poder de fogo para neutralizar rapidamente qualquer possibilidade de resistência.

Um quarto policial conseguiu sobreviver ao ataque graças a uma atitude considerada decisiva para preservar sua vida.

Segundo as investigações, o agente permaneceu imóvel durante parte da ação, fingindo estar morto. Quando percebeu que os criminosos haviam deixado o local, conseguiu fugir por uma área de mata e posteriormente acionou reforço policial.

O depoimento desse sobrevivente deverá ser uma das principais peças para reconstituir toda a sequência do ataque.

Moradores da região relataram momentos de intenso terror durante a invasão.

Os disparos puderam ser ouvidos a grande distância e o incêndio provocado pelos criminosos iluminou completamente a área durante vários minutos.

Testemunhas afirmaram ainda que os integrantes do grupo utilizavam roupas camufladas semelhantes às empregadas por forças militares, fato que inicialmente provocou confusão entre moradores sobre a identidade dos invasores.

As forças de segurança trabalham agora para identificar todos os participantes da ação e esclarecer a motivação do ataque.

Além da investigação criminal, o caso reacendeu o alerta sobre o avanço de organizações criminosas que atuam na faixa de fronteira, utilizando armamento pesado, planejamento estratégico e ações coordenadas contra estruturas estatais.

A proximidade com Mato Grosso do Sul também levou autoridades brasileiras a reforçarem o monitoramento na região fronteiriça, diante da possibilidade de deslocamento dos criminosos entre os dois países e da atuação de grupos envolvidos com tráfico internacional de drogas, armas e outras atividades ilegais.

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