Mato Grosso do Sul, 21 de junho de 2026
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Preço da soja volta a subir no Brasil e exportações atingem recorde histórico em meio a cenário internacional instável

Setor mantém desempenho positivo impulsionado pela demanda externa, competitividade brasileira e variações climáticas no hemisfério norte
Foto: José Medeiros/Ed. Globo
Foto: José Medeiros/Ed. Globo

O preço da soja no Brasil voltou a registrar alta significativa nesta quarta-feira, 13 de agosto, refletindo o forte ritmo das exportações, a influência de fatores externos e a conjuntura climática global. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a cotação no porto de Paranaguá (PR) fechou o dia a R$ 141,83 por saca de 60 quilos, representando elevação de 1,82% em relação à sessão anterior.

A valorização foi generalizada no mercado interno. Das 24 praças monitoradas pela consultoria AgRural, 25 registraram avanço nos preços e apenas uma manteve estabilidade. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a saca foi negociada a R$ 128,50. Em Rio Verde (GO) e Balsas (MA), o preço chegou a R$ 127. No Triângulo Mineiro, a cotação média foi de R$ 130 e, em Dourados (MS), importante polo do Mato Grosso do Sul, o valor alcançou R$ 125,50. Nos portos, o grão foi vendido a R$ 141 em Santos (SP) e R$ 139 em Rio Grande (RS).

Influência externa e fatores climáticos

No mercado internacional, o movimento de alta foi acompanhado pela Bolsa de Chicago, onde os contratos futuros para setembro encerraram o pregão com avanço de 1,11%, cotados a US$ 10,24 por bushel. A reação positiva ocorre em meio à preocupação com o clima nos Estados Unidos, maior concorrente do Brasil na produção global de soja. A irregularidade nas chuvas e a possibilidade de períodos prolongados de calor intenso no Meio-Oeste norte-americano colocam em risco o potencial produtivo da safra 2025, o que tende a reduzir a oferta global e sustentar as cotações.

Além disso, dados recentes sobre os estoques e a produtividade nos Estados Unidos reforçaram a percepção de que o mercado pode enfrentar um aperto na oferta no curto prazo. Esse quadro estimula investidores e compradores a anteciparem aquisições, ampliando a demanda e influenciando diretamente os preços.

Possíveis impactos de acordos comerciais

Apesar do atual otimismo, o setor observa com cautela as negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Um eventual acordo envolvendo grandes volumes de soja norte-americana poderia reduzir o espaço para o produto brasileiro no mercado asiático, especialmente na safra 2025/26. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse cenário pressionaria os prêmios pagos nos portos e poderia limitar a margem de lucro de exportadores nacionais.

Recorde histórico nas exportações brasileiras

Enquanto a disputa comercial não se concretiza, o Brasil segue batendo recordes no comércio internacional. Conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em julho de 2025 o país embarcou 12,25 milhões de toneladas de soja. Entre janeiro e julho, o volume acumulado atingiu 77,20 milhões de toneladas, o maior já registrado para o período.

Esse desempenho é resultado da combinação entre safra volumosa, logística mais eficiente e demanda aquecida, principalmente da China, que mantém forte apetite pelo grão brasileiro para abastecer sua indústria de ração animal e produção de óleo.

Importância para Mato Grosso do Sul

No Mato Grosso do Sul, a soja desempenha papel central na economia. O estado se consolidou como um dos maiores produtores nacionais, com destaque para regiões como Dourados, Maracaju e Chapadão do Sul. A alta nas cotações representa incremento direto na renda dos produtores, favorecendo também setores correlatos, como transporte, armazenagem e comércio de insumos agrícolas.

A valorização atual tende a impulsionar investimentos em tecnologia e expansão de áreas cultivadas, mas especialistas alertam para a necessidade de planejamento, já que o mercado de commodities é altamente sensível a fatores externos, como o câmbio e a política internacional.

Competitividade brasileira no cenário global

O Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de soja, não apenas pela produção, mas também pela qualidade do grão e pela capacidade de atender grandes volumes de exportação de forma contínua. A taxa de câmbio favorável — com o real desvalorizado frente ao dólar — aumenta a competitividade do produto brasileiro, permitindo que os exportadores ofertem preços mais atraentes sem comprometer a rentabilidade.

Além disso, avanços logísticos, como a ampliação da capacidade de embarque nos portos e a utilização de rotas alternativas pela região Norte, têm reduzido custos e prazos de entrega, tornando o país ainda mais competitivo.

Perspectivas para o restante de 2025

A expectativa é de que, mantidas as condições climáticas favoráveis no Brasil e a demanda externa aquecida, o país possa encerrar 2025 com novo recorde anual de exportações. Entretanto, oscilações nos preços internacionais, mudanças na política comercial de grandes importadores e eventuais problemas logísticos podem alterar esse cenário.

Para produtores e exportadores, o momento exige atenção às oportunidades de venda e uso de ferramentas de proteção financeira, como contratos futuros e opções, para mitigar riscos diante da volatilidade do mercado.

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