Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Preço do boi gordo inicia outubro com estabilidade nacional e pressões distintas no mercado pecuário

Oferta elevada de animais garante tranquilidade nas escalas de abate, enquanto exportações seguem fortes e consumo interno permanece enfraquecido
Cotações no mês refletiram o balanço equilibrado entre oferta e demanda
Cotações no mês refletiram o balanço equilibrado entre oferta e demanda

O mercado pecuário brasileiro abriu o mês de outubro em clima de estabilidade, após um setembro marcado por comportamento atípico no setor. Tradicionalmente, esse período do ano é caracterizado por uma menor oferta de animais para abate, o que tende a sustentar ou até elevar os preços. Contudo, desta vez, a realidade foi diferente: a disponibilidade de boiadas se manteve elevada, possibilitando aos frigoríficos trabalhar com escalas alongadas e pressionando as cotações do boi gordo.

De acordo com levantamento da Scot Consultoria, nesta quarta-feira, 1º de outubro, das 33 praças monitoradas no país, 30 apresentaram estabilidade nos preços. Apenas três estados registraram valorização Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro. Em importantes referências de mercado, como Barretos e Araçatuba, ambas em São Paulo, a arroba do boi gordo permaneceu cotada em R$ 302 no pagamento a prazo, sinalizando consistência no cenário.

Um dos fatores que explicam esse comportamento é o desempenho dos confinamentos. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a DSM-Tortuga apontam que, em setembro, a taxa de lotação foi 16,5% superior à do mesmo período do ano anterior. Confinadores reforçaram seus lotes e apostaram nas vendas a termo, o que reduziu a oferta disponível no balcão e trouxe impacto direto sobre a dinâmica do mercado físico.

Apesar da estabilidade predominante, algumas regiões sentiram os efeitos da pressão maior. Cuiabá, capital do Mato Grosso, maior estado pecuarista do país, registrou a queda mais expressiva ao longo de setembro. A arroba encerrou o mês em R$ 286,71 à vista, desvalorização de 4,5%. Já o indicador Cepea/Esalq, média paulista, recuou 2,1%, fechando o mês em R$ 304,10 a arroba.

Do lado da demanda, o mercado externo manteve o ritmo aquecido. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne bovina em setembro alcançaram uma média diária de 14,7 mil toneladas nos primeiros 20 dias úteis, resultado 23% superior ao registrado no mesmo mês de 2024. Esse desempenho reforça o peso da China e de outros parceiros comerciais para absorver o excedente da produção nacional.

No entanto, o consumo doméstico continua fragilizado. Mesmo com oferta elevada, o mercado interno não tem conseguido absorver todo o volume disponível. A carcaça casada bovina, comercializada no atacado da Grande São Paulo, acumulou retração de 2,5% em setembro, sendo negociada a R$ 20,91 o quilo à vista. O corte dianteiro, considerado mais acessível ao consumidor, sofreu desvalorização ainda maior: queda de 4,2% no mês, cotado a R$ 18,35 o quilo.

O cenário atual reflete uma dualidade no setor pecuário brasileiro. De um lado, os frigoríficos contam com ampla oferta de animais e o alívio nas escalas de abate. De outro, enfrentam dificuldades no mercado interno, com consumidores sensíveis ao preço e à perda de poder de compra. Ao mesmo tempo, o mercado internacional segue como válvula de escape para o escoamento da carne, mantendo a relevância das exportações no equilíbrio das cotações.

Especialistas avaliam que o comportamento de outubro dependerá da sustentação das exportações e da evolução do consumo interno. Caso a demanda externa siga aquecida, os frigoríficos terão fôlego para absorver o volume disponível, ainda que os preços sigam sob pressão no mercado interno. Já se houver desaquecimento nas vendas internacionais, o cenário pode trazer novas quedas para a arroba, especialmente em estados com maior concentração de rebanho.

Com um início de mês marcado pela estabilidade e um pano de fundo que mistura abundância de oferta, exportações vigorosas e consumo doméstico limitado, o mercado do boi gordo mantém atenção redobrada sobre os próximos movimentos. Outubro será decisivo para confirmar se o setor seguirá estável ou se enfrentará novas pressões negativas.

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