Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Preço do boi gordo recua em São Paulo diante de maior oferta e pressão sobre frigoríficos

Mercado registra alongamento das escalas, consumo interno moderado e exportações em alta nos primeiros dias de setembro
Todos os negócios ocorrem dentro dos valores de referência
Todos os negócios ocorrem dentro dos valores de referência

O setor pecuário iniciou a semana sob forte pressão, com queda nos preços do boi gordo em importantes regiões de referência, como Araçatuba e Barretos, em São Paulo. O recuo é resultado da combinação entre a elevada oferta de animais prontos para o abate e o alongamento das escalas nos frigoríficos, cenário que tem limitado o poder de reação das cotações, mesmo diante da melhora nas exportações e do crescimento da demanda no mercado interno.

De acordo com dados de consultorias especializadas, das 32 praças pecuárias monitoradas no país, 24 mantiveram estabilidade no início desta semana. No entanto, em São Paulo, referência nacional para a formação de preços, a arroba do boi gordo recuou R$ 3, sendo negociada a R$ 312 no pagamento a prazo. A pressão baixista também foi registrada em praças do Triângulo Mineiro, no sul de Minas Gerais, em Goiânia (GO), no norte do Mato Grosso e em Marabá (PA). O único estado a registrar valorização foi o Rio de Janeiro.

O alongamento das escalas, que já alcançam parte da última semana de setembro, indica que a indústria vem conseguindo atender à sua necessidade de abates com gado contratado e de confinamento próprio, deixando pouco espaço para negociações no mercado físico. Esse cenário tem contribuído para travar os negócios e reduzir a liquidez.

No mercado interno, a demanda por carne bovina apresentou melhora no final da semana passada, impulsionada pelo recebimento dos salários da população, o que tradicionalmente fortalece o consumo no varejo. O movimento gerou maior procura por reposição nos estoques do atacado. Ainda assim, os preços das carcaças tiveram pouca reação, permanecendo em sua maioria estáveis, o que demonstra cautela dos compradores diante da instabilidade no consumo.

No front externo, o desempenho das exportações tem sido o principal fator de sustentação para o setor neste início de setembro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior apontam que, na média dos cinco primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 15,7 mil toneladas de carne bovina in natura por dia. Esse volume representa um crescimento de 22,5% em relação a agosto e 30,8% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Em apenas uma semana, os embarques já alcançaram quase 30% do total exportado em todo o mês anterior.

Em valores, o preço médio da tonelada da carne bovina in natura exportada ficou em torno de R$ 30,2 mil. Apesar da estabilidade cambial, houve leve recuo de 0,9% no preço médio dos cortes exportados, reflexo da maior competitividade exigida pelo mercado internacional.

Especialistas avaliam que, no curto prazo, a tendência é de continuidade da pressão sobre as cotações, principalmente em regiões com escalas confortáveis e maior concentração de confinamentos. A expectativa do setor é que as exportações sigam desempenhando papel crucial para equilibrar o mercado, ao mesmo tempo em que se aguarda uma retomada mais firme no consumo doméstico com a chegada do último trimestre, tradicionalmente mais aquecido para a carne bovina.

A conjuntura atual evidencia o desafio da pecuária brasileira: equilibrar a produção elevada com o ritmo de consumo interno ainda moderado e com a necessidade de manter a competitividade nas exportações. O cenário segue desafiador e reforça a importância da estratégia comercial dos pecuaristas e da indústria para atravessar o período de maior pressão sobre as cotações.

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