Reza Pahlavi, de 63 anos e filho do último Xá do Irã, declarou estar se preparando para retornar ao país e guiar uma transição para a democracia. Exilado nos Estados Unidos, ele assumiu papel ativo na oposição, coordenando manifestações que entraram na terceira semana e já deixaram mais de 500 mortos nas ruas iranianas. Sua mudança de voz passiva para liderança tática ocorre em meio a protestos iniciados por colapso econômico, com o rial despencando para além de 1,4 milhão por dólar americano.
Em entrevista recente, Pahlavi afirmou que liderará o processo de transição com transparência total, permitindo eleições livres para que o povo escolha seus governantes e defina o futuro nacional. Seus apelos por ações sincronizadas às 20h locais nos dias 8 e 9 de janeiro atraíram multidões em Teerã, Isfahan e Mashhad, onde gritos de “Viva o xá” e “Pahlavi retornará” ecoaram apesar da repressão. Vídeos mostram milhares ocupando praças centrais, mantendo formação em vias principais e exercendo disciplina sob fogo de agentes da Guarda Revolucionária.
Pahlavi escalou sua estratégia além de declarações remotas. Ele orientou manifestantes a ocupar e defender centros urbanos, permanecerem unidos em avenidas chave e evitar dispersão. Convocou greves gerais em energia, petróleo e transporte, visando paralisar a economia do regime. Apesar do bloqueio de internet nacional, que já dura mais de 60 horas, mensagens circularam via VPNs e satélites, mobilizando trabalhadores de refinarias em Bandar Abbas e motoristas em Tabriz. Relatos indicam adesão em massa, com paralisações afetando exportações de gás.
Os protestos eclodiram em 28 de dezembro, impulsionados por inflação galopante acima de 40%, desemprego jovem de 30% e escassez de combustível. Inicialmente econômicos, evoluíram para demandas políticas amplas, com slogans como “Abaixo o ditador” direcionados ao Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei. Jovens, mulheres e classes médias urbanas lideram as ruas, queimando bandeiras republicanas e exigindo separação de religião e Estado, ecoando o legado secular da dinastia Pahlavi.
Embora Pahlavi conquiste apoio vocal em manifestações, sua legitimidade divide opiniões. Alguns veem nele o símbolo de uma era próspera pré-1979, com modernização e alianças ocidentais, mas outros priorizam reformas republicanas sem restauração monárquica. Analistas notam que sua base entre diáspora iraniana e urbanos descontentes cresce, mas camadas rurais e religiosas permanecem fiéis ao clero. Mais de 10.600 prisões registradas intensificam a tensão, com relatos de execuções sumárias em prisões de Evin.
Controvérsias internacionais complicam sua imagem. Visita a Israel em abril de 2023, encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e recepção oficial pela Ministra da Inteligência Gila Gamliel geraram acusações de alinhamento sionista. Sua esposa, Yasmine Pahlavi, apareceu em comício pró-Israel em Washington em novembro de 2024, acenando bandeiras iranianas e israelenses. A mídia estatal iraniana explora esses laços para desqualificar os protestos como conspiração estrangeira, enquanto opositores internos temem que prejudiquem unidade contra o regime.
O histórico de Pahlavi reforça seu apelo para alguns. Nascido em 1960 como príncipe herdeiro, exilado após a Revolução Islâmica de 1979 que depôs seu pai, Mohammad Reza Pahlavi, ele fundou o Conselho Nacional Iraniano no exterior. Advoga por referendo constitucional, desmantelamento da Guarda Revolucionária e neutralidade em conflitos regionais. Seus contatos com potências ocidentais, incluindo visitas aos EUA e Europa, visam pressão diplomática via sanções ampliadas.
A repressão do regime escalou com drones de vigilância, gás lacrimogêneo e balas reais, matando civis em cidades como Shiraz e Kermanshah. Greves de professores e professores universitários se juntam aos protestos, ampliando o espectro social. Bloqueio digital isola o Irã, mas diáspora em Los Angeles e Toronto amplifica vozes via redes sociais. Economia cambaleia com queda de 20% nas reservas de divisas, agravando fome em periferias.
Pahlavi posiciona-se como ponte para transição pacífica, prometendo coalizão ampla com republicanos, secularistas e minorias étnicas como curdos e baluchis. Seu retorno dependeria de colapso interno ou intervenção externa sutil, mas riscos de violência sectária persistem. Enquanto ruas fervem, o príncipe exilado emerge como figura pivotal, testando se o legado monárquico pode catalisar mudança após 47 anos de teocracia.
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