Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Produção de café no Brasil alcança 55,2 milhões de sacas em 2025

Levantamento da Conab aponta recuperação na produtividade, expansão da área em formação e crescimento expressivo do conilon, enquanto exportações registram queda em volume, mas atingem recorde em valor
Mercado segue pressionado pelas boas perspectivas de safra no Brasil
Mercado segue pressionado pelas boas perspectivas de safra no Brasil

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-feira (4) o 3º levantamento da safra 2025 de café no Brasil, trazendo um panorama detalhado sobre a produção do grão, que permanece estratégica para a economia nacional. Os dados confirmam que, apesar de 2025 ser um ano de bienalidade negativa para o café arábica, a produção total deve alcançar 55,2 milhões de sacas beneficiadas, representando um crescimento de 1,8% em comparação a 2024. O resultado é influenciado, sobretudo, pela recuperação de 3% na produtividade média das lavouras, que passou de 28,8 sacas por hectare no ano anterior para 29,7 sacas por hectare neste ciclo.

O Brasil mantém sua posição de maior produtor e exportador mundial de café, mesmo diante de adversidades climáticas e de oscilações do mercado internacional. A colheita já está praticamente concluída, com 96% da área colhida até o final de agosto, e evidencia o desempenho de diferentes regiões e espécies cultivadas.

No caso do café arábica, a produção está estimada em 35,2 milhões de sacas, volume 11,2% menor do que o registrado na safra anterior. Minas Gerais, principal estado produtor, responde por 75,2% da área nacional dessa espécie, com uma produção estimada em 24,7 milhões de sacas, também em queda de 10,8%. A retração é explicada pela bienalidade negativa, somada à longa estiagem ocorrida nos meses que antecederam a floração, que comprometeu parte do potencial produtivo.

Em contrapartida, o café conilon apresenta crescimento expressivo. A produção está projetada em 20,1 milhões de sacas beneficiadas, alta de 37,2% em relação a 2024. No Espírito Santo, que concentra 69% da produção nacional de conilon, espera-se uma colheita de 13,8 milhões de sacas, resultado impulsionado pela regularidade climática e pelo bom desenvolvimento das lavouras, que garantiram maior formação de frutos. Esse desempenho consolidou o estado capixaba como protagonista da alta na produção nacional.

A Bahia também se destaca, com previsão de 4,1 milhões de sacas, crescimento de 33,5% em relação ao ano anterior. O aumento decorre da entrada de novas lavouras irrigadas e de manejo avançado, principalmente nas regiões do Cerrado e do Atlântico. Dentro do estado, a produção de conilon deve crescer 51,2%, chegando a 2,95 milhões de sacas, enquanto o arábica registra leve aumento de 2,4%, com 1,1 milhão de sacas. Rondônia, outro polo importante de conilon, também deve registrar crescimento, com previsão de 2,3 milhões de sacas, alta de 10,4%.

A área total destinada à cafeicultura em 2025 é de 2,25 milhões de hectares, aumento de 0,9% em relação a 2024. Desse total, 1,86 milhão de hectares correspondem a lavouras em produção, o que representa leve redução de 1,2%. Já a área em formação cresceu 11,9%, chegando a 395,8 mil hectares, indicando expectativa de expansão da produção nos próximos anos.

No cenário de mercado, as exportações brasileiras de café somaram 23,7 milhões de sacas entre janeiro e julho de 2025, uma queda de 16,4% em relação ao mesmo período de 2024. A retração no volume já era prevista, em razão da redução dos estoques internos após o recorde de exportação no ano anterior e da menor disponibilidade de arábica na safra atual. Ainda assim, o valor exportado no período atingiu cerca de US$ 9 bilhões, um aumento de 44,1% em comparação com 2024, resultado impulsionado pela valorização internacional do café, especialmente nos primeiros meses do ano.

O desempenho da safra 2025 confirma a importância do café não apenas como produto agrícola, mas como ativo estratégico para o Brasil no comércio internacional. A combinação entre aumento de produtividade, avanço da área em formação e valorização externa reforça a resiliência do setor diante das oscilações do mercado e das adversidades climáticas.

O relatório completo da Conab detalha o comportamento da produção nas principais regiões produtoras e apresenta análises de mercado, servindo de base para produtores, exportadores e investidores compreenderem as perspectivas do setor nos próximos anos.

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