O segundo trimestre de 2025 trouxe resultados expressivos para o setor agropecuário brasileiro, consolidando a relevância do país como potência mundial na produção de carnes, leite e ovos. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (10) revelam um avanço significativo no abate de bovinos, recordes no setor de suínos, aumento na produção de frangos, marca histórica na aquisição de leite cru e crescimento consistente na produção de ovos.
O levantamento mostra que o Brasil não apenas manteve seu ritmo de produção, mas alcançou resultados inéditos em algumas categorias, refletindo a força do agronegócio na economia nacional, o impacto do consumo interno e a constante demanda do mercado internacional.
No setor de bovinos, o abate registrou crescimento de 3,9% em relação ao mesmo trimestre de 2024, alcançando 10,464 milhões de cabeças. Esse avanço representa também uma alta de 5,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Um dado inédito da pesquisa é que, pela primeira vez desde o início da série histórica em 1997, o número de fêmeas abatidas superou o de machos, com aumento expressivo de 16% frente ao mesmo período do ano passado. Segundo analistas, essa inversão demonstra mudanças estruturais na pecuária, indicando ajustes estratégicos de criadores e frigoríficos diante da dinâmica de mercado.
A produção de carcaças bovinas acompanhou o crescimento, alcançando 2,65 milhões de toneladas, com avanço de 1,6% em relação ao segundo trimestre de 2024 e 6,1% acima do registrado entre janeiro e março deste ano.
O setor de suínos foi um dos grandes destaques, com recorde histórico. Entre abril e junho, foram abatidas 15,02 milhões de cabeças, alta de 2,6% em comparação com o mesmo período de 2024 e 4,1% acima do trimestre anterior. Esse foi o maior volume já registrado desde o início da série histórica, com destaques para os meses de maio e junho. O peso acumulado das carcaças de suínos somou 1,413 milhão de toneladas, crescimento de 5,7% em relação ao ano passado e 6,5% frente ao primeiro trimestre de 2025.
Segundo a gerente da pesquisa, Angela Lordão, o desempenho recorde se explica pelo fortalecimento do consumo doméstico — com cortes mais acessíveis e de fácil preparo ganhando espaço nas mesas brasileiras — e pela forte demanda internacional. Países como Filipinas, Chile e Japão ampliaram significativamente suas importações, compensando a retração nas compras da China, até então principal destino da carne suína brasileira.
No segmento de frangos, o abate alcançou 1,639 bilhão de cabeças no período, o que representa crescimento de 1,1% em relação ao segundo trimestre de 2024. Embora tenha recuado 0,4% na comparação com o trimestre anterior, o peso acumulado das carcaças foi de 3,55 milhões de toneladas, alta de 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado e 1,9% superior em relação ao primeiro trimestre de 2025. O desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne de frango.
A produção de leite cru também foi recorde. A aquisição por estabelecimentos sob inspeção sanitária alcançou 6,502 bilhões de litros, maior volume já registrado para um segundo trimestre da série histórica. Em relação ao mesmo período de 2024, houve aumento de 9,4%, embora o resultado tenha sido 1% inferior ao do primeiro trimestre deste ano. O resultado reflete a expansão da cadeia produtiva e a crescente demanda por derivados lácteos no mercado interno e externo.
Na indústria de couro, os curtumes registraram recebimento de 10,748 milhões de peças inteiras de couro cru bovino, crescimento de 4,6% em relação ao mesmo trimestre de 2024, ainda que tenha apresentado ligeira queda de 0,1% frente ao trimestre anterior.
Por fim, a produção de ovos de galinha também atingiu números expressivos: 1,241 bilhão de dúzias no trimestre, crescimento de 6,2% em relação a 2024 e 2,9% acima do resultado obtido no primeiro trimestre de 2025. Esse desempenho confirma o avanço contínuo do setor, sustentado pela demanda interna, pela alta competitividade da proteína e pelo acesso a novos mercados consumidores.
O conjunto dos dados evidencia não apenas a relevância do agronegócio para a balança comercial e a economia brasileira, mas também a resiliência do setor em meio a desafios globais, como custos de produção, variação cambial e mudanças no cenário de exportações. O resultado reafirma o protagonismo do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos para o mundo, consolidando sua imagem de potência agropecuária.
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