Mato Grosso do Sul vem consolidando uma importante rede de combate à fome e fortalecimento da agricultura familiar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), iniciativa que conecta pequenos produtores rurais diretamente às famílias que mais precisam de apoio alimentar em diferentes regiões do Estado.
Com mais de R$ 21,8 milhões executados desde 2021, o programa se tornou uma das principais ferramentas de inclusão social, geração de renda no campo e garantia de alimentação para milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Neste período, mais de 1,5 milhão de quilos de alimentos foram adquiridos de agricultores familiares e destinados a instituições, comunidades tradicionais, entidades assistenciais e famílias cadastradas em programas sociais.
Além dos alimentos sólidos, o programa também garantiu a distribuição de mais de 206 mil litros de leite pasteurizado, fortalecendo a alimentação de crianças, idosos e famílias atendidas por instituições sociais em diversas cidades sul-mato-grossenses.
Somente nos primeiros meses de 2026, mais de 381 mil quilos de alimentos já foram distribuídos, demonstrando a ampliação contínua do alcance do programa em Mato Grosso do Sul. O crescimento da iniciativa também acompanha o aumento da participação de agricultores familiares, povos originários, quilombolas e comunidades tradicionais na produção e fornecimento de alimentos.
O programa funciona como uma ponte direta entre o produtor rural e a população vulnerável. A dinâmica permite que alimentos produzidos no campo sejam comprados diretamente pelo poder público sem necessidade de licitação, garantindo mais agilidade, valorização da produção local e renda imediata aos pequenos agricultores.
Na prática, produtores conseguem comercializar frutas, verduras, legumes, leite, hortaliças e diversos outros alimentos para abastecer entidades socioassistenciais, cozinhas comunitárias, centros de acolhimento, escolas, aldeias indígenas e instituições que atendem famílias em situação de insegurança alimentar.
O fortalecimento da agricultura familiar também passou a ser visto como um instrumento importante para movimentar a economia regional, especialmente em municípios do interior onde pequenos produtores dependem da comercialização direta para manter suas atividades.
O avanço do programa foi tema central do Seminário Estadual do PAA, realizado no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. O encontro reuniu agricultores, gestores públicos, técnicos, lideranças comunitárias e representantes de instituições federais e estaduais envolvidos na execução do programa.
Durante o evento, representantes do Governo do Estado destacaram que o programa vai além da simples compra de alimentos. A proposta envolve fortalecimento da produção sustentável, inclusão produtiva, geração de renda e desenvolvimento social de comunidades historicamente vulneráveis.
A secretária-executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais, Karla Bethânia Ledesma de Nadai, ressaltou que o programa possui impacto direto na vida de milhares de famílias rurais.
Segundo ela, o PAA se tornou uma política pública essencial tanto para o combate à fome quanto para a valorização do trabalho realizado pelos agricultores familiares, quilombolas e povos indígenas em Mato Grosso do Sul.
Ela destacou ainda que o seminário busca aproximar produtores, instituições e gestores para fortalecer o entendimento sobre a importância da alimentação saudável produzida dentro do próprio Estado.
Representantes das comunidades quilombolas também relataram mudanças importantes provocadas pela iniciativa. A presidente da Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Mato Grosso do Sul, Lucinéia de Jesus Domingos Gabilão, afirmou que o programa vem transformando a realidade econômica e social das comunidades tradicionais.
Segundo ela, além da geração de renda, o programa valoriza a ancestralidade, a cultura e o conhecimento tradicional presente na produção agrícola das comunidades quilombolas.
A participação dos povos originários também ganhou destaque dentro da estrutura do programa. Atualmente, o Estado executa editais específicos voltados às comunidades indígenas, garantindo que produtores indígenas consigam acessar o mercado institucional e ampliar a produção agrícola dentro das aldeias.
O representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Humberto de Mello, destacou que Mato Grosso do Sul se tornou referência nacional na execução de políticas públicas voltadas à proteção alimentar e ao fortalecimento das comunidades tradicionais.
Segundo ele, os resultados alcançados nos últimos anos demonstram que a união entre Governo Federal, Governo do Estado e municípios é fundamental para garantir que os alimentos cheguem efetivamente às famílias que necessitam de apoio.
O secretário da Semadesc, Artur Falcette, afirmou que o programa possui papel estratégico dentro da política de desenvolvimento social e econômico do Estado.
De acordo com ele, o PAA conecta duas necessidades fundamentais: garantir renda ao produtor rural e assegurar alimentação de qualidade à população vulnerável. O secretário ressaltou ainda que a iniciativa fortalece a inclusão produtiva e amplia a circulação de recursos nos municípios.
Atualmente, Mato Grosso do Sul executa três editais do programa nas modalidades Indígena, Quilombola e Ampla Concorrência, somando mais de R$ 9,1 milhões em investimentos.
Os recursos são utilizados para fortalecer a produção agrícola familiar, ampliar a participação de comunidades tradicionais e garantir abastecimento contínuo de entidades socioassistenciais e equipamentos públicos de alimentação.
O crescimento do programa também gera reflexos positivos na permanência das famílias no campo. Com mercado garantido para comercialização dos alimentos, muitos produtores conseguem ampliar plantações, investir na propriedade e melhorar as condições de vida das famílias rurais.
Além do impacto econômico, o programa contribui diretamente para a oferta de alimentos frescos e saudáveis, reduzindo a insegurança alimentar em regiões vulneráveis e fortalecendo a alimentação de milhares de pessoas em Mato Grosso do Sul.
Com a ampliação dos investimentos e o fortalecimento da agricultura familiar, o Estado avança na construção de uma política pública que une desenvolvimento regional, geração de renda, combate à fome e valorização das comunidades tradicionais.
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