Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Projeto Casa Azul amplia atendimento, registra diagnósticos e pressiona por maior adesão masculina aos exames preventivos

Dr. Victor Rocha, idealizador da Casa Rosa e do Projeto Casa Azul
Dr. Victor Rocha, idealizador da Casa Rosa e do Projeto Casa Azul

A saúde masculina voltou ao centro das atenções em Campo Grande com a intensificação das ações do Novembro Azul promovidas pela Associação Beneficente Casa Rosa por meio do Projeto Casa Azul. O mês trouxe uma mobilização crescente em torno do câncer de próstata, doença silenciosa que segue entre as principais causas de morte entre homens no país e que exige informação, prevenção e acesso rápido ao diagnóstico. As atividades se expandiram por bairros, unidades de saúde e empresas, reforçando a urgência de quebrar resistências históricas que afastam homens dos cuidados básicos. O resultado parcial já mostra impacto direto: mais de mil atendimentos realizados e cinco diagnósticos confirmados, agora encaminhados para tratamento especializado.

A campanha ganhou amplitude com mutirões realizados na sede da instituição e em diferentes regiões da Capital. A estratégia de descentralizar os atendimentos buscou atingir homens que dificilmente procuram serviços médicos por iniciativa própria. A equipe envolvida relata que a resistência ainda é expressiva, especialmente entre aqueles que evitam exames simples como o PSA ou negligenciam sinais que poderiam indicar início da doença. A presença dos profissionais em empresas, postos de saúde e eventos comunitários tornou o acesso mais direto e menos burocrático, fator decisivo para ampliar o alcance da campanha.

Os mutirões contaram com consultas, exames preventivos e orientações personalizadas. Embora o foco principal seja o câncer de próstata, os atendimentos também incluem cuidados gerais que afetam a saúde do homem e costumam ser ignorados no cotidiano. De acordo com os profissionais envolvidos, muitos pacientes chegam às unidades sem histórico recente de check-up, revelando o quanto a prevenção ainda não faz parte da rotina masculina. Em vários casos observados durante as ações, pequenas alterações iniciais puderam ser identificadas e encaminhadas antes que evoluíssem para quadros graves.

O Dr. Alexandre Abreu, clínico geral e responsável técnico da Casa Rosa, reforça a gravidade dos atrasos no diagnóstico e alerta para a falsa sensação de segurança que muitos homens carregam ao ignorar sintomas. Ele destaca que o câncer de próstata, quando descoberto na fase inicial, apresenta altas taxas de cura, mas que a demora em buscar atendimento acaba transformando uma doença tratável em um risco elevado. O médico explica que a investigação começa com o exame de PSA, simples, rápido e fundamental para apontar alterações que exijam aprofundamento. A partir de resultados suspeitos, exames complementares e biópsia são realizados para confirmar ou descartar a doença.

O vereador e mastologista voluntário Dr. Victor Rocha, idealizador da Casa Rosa e do Projeto Casa Azul, ressalta que os números registrados nacionalmente demonstram que a falta de prevenção continua sendo o maior obstáculo. Ele observa que muitos casos avançados poderiam ter sido evitados com consultas regulares e acompanhamento básico anual. Segundo ele, a campanha reforça não apenas o alerta sobre o câncer de próstata, mas a necessidade de transformar hábitos e enfrentar preconceitos que afastam os homens do cuidado com a própria saúde. Ele afirma que, quando a informação chega de forma direta e clara, a resistência diminui e o impacto positivo aparece imediatamente.

O câncer de próstata se desenvolve na glândula localizada abaixo da bexiga e apresenta evolução muitas vezes silenciosa. A ausência de sintomas iniciais contribui para que a doença avance sem ser detectada. Quando presentes, os sinais costumam surgir em estágios mais elevados e incluem dificuldade para urinar, sangramento, jato urinário fraco e necessidade de urinar com frequência, especialmente à noite. Especialistas envolvidos na ação reforçam que aguardar sintomas é um erro que reduz as chances de cura, tornando indispensável a realização anual do PSA para homens a partir dos 45 anos, ou antes, quando há histórico familiar.

As ações do Novembro Azul conduzidas pela Casa Rosa evidenciam uma realidade que ainda precisa ser superada: a saúde masculina permanece negligenciada e marcada por tabus. A equipe relata que muitos homens chegam aos mutirões por influência de familiares, colegas de trabalho ou campanhas públicas, e que esse estímulo externo ainda é determinante para ampliar a adesão. A programação, distribuída por toda a cidade, foi elaborada justamente para reduzir barreiras e facilitar o acesso, evitando deslocamentos longos ou espera excessiva nas unidades tradicionais.

Ao final do mês, a instituição reforça que a prevenção não pode ser pontual e que o cuidado deve se manter ao longo de todo o ano. A campanha, embora concentrada em novembro, funciona como porta de entrada para transformar comportamentos, ampliar o alcance da informação e aproximar os homens dos serviços de saúde. A Casa Rosa e o Projeto Casa Azul reafirmam o compromisso com a saúde pública, destacando que prevenir continua sendo o caminho mais eficaz e seguro para evitar diagnósticos tardios e salvar vidas.

Associação Beneficente Casa Rosa
Endereço: Rua Apetubas, 181 – Bairro Tijuca 2, próximo ao Terminal Aero Rancho, Campo Grande (MS)
Instagram: @casarosacgm

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