Mato Grosso do Sul, 12 de junho de 2026
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Protetoras denunciam descaso da Prefeitura de Campo Grande e exigem retorno dos atendimentos da Subea

Suspensão do atendimento a animais compromete saúde pública e evidencia falha na promessa de campanha da prefeita Adriane Lopes
Subea fica na Rua Rui Barbosa, número 3.538 no Centro. (Foto: Divulgação)
Subea fica na Rua Rui Barbosa, número 3.538 no Centro. (Foto: Divulgação)

O abandono e os maus-tratos a animais em Campo Grande enfrentam um novo obstáculo com a suspensão dos atendimentos exclusivos às quartas-feiras destinados às Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e protetoras independentes pela Prefeitura Municipal. A medida, criticada por quem atua diariamente no cuidado de animais, acendeu alertas sobre a responsabilidade do Poder Público e os impactos diretos sobre a saúde pública e o controle de zoonoses na cidade.

Dani Reis, representante das protetoras independentes, expressou indignação com a decisão. “Todos os animais que nós doamos precisam de acompanhamento, principalmente da castração. Como vamos garantir esse procedimento agora? Só neste final de semana foram mais de 40 animais. A suspensão prejudica não apenas os protetores, mas toda a sociedade, aumentando riscos de zoonoses e abandono”, declarou.

A solução apresentada pela Prefeitura, através do atendimento itinerante limitado a 10 animais por dia e restrito a um protetor ou OSC, é considerada insuficiente e ineficaz. Segundo Dani, mais de 200 animais já cadastrados aguardam a realização do procedimento. “Foram retiradas mais de 90% das nossas castrações. Com o itinerante, esses animais só terão atendimento daqui a seis meses, no máximo dez procedimentos por dia. Isso é um retrocesso”, acrescentou.

O problema ganha ainda maior relevância por se tratar de uma promessa de campanha de 2024 da prefeita Adriane Lopes, que havia se comprometido a ampliar e facilitar o acesso a cuidados veterinários e à proteção animal. A suspensão revela descaso e falta de compromisso com políticas públicas fundamentais para a cidade, expondo a população e os animais a consequências diretas.

Especialistas em saúde pública destacam os riscos do abandono de animais sem castração e cuidados básicos. A epidemiologista Carolina Medeiros alerta: “Animais não castrados aumentam significativamente a população de rua, o que eleva o risco de transmissão de zoonoses, como raiva e leptospirose, colocando em risco a saúde de toda a população urbana”.

O médico veterinário Rafael Silva complementa: “O trabalho das protetoras e das OSCs é uma extensão da política de saúde pública. Interromper esses atendimentos é um retrocesso, pois esses animais sem cuidados tornam-se vetores de doenças que poderiam ser prevenidas. A prevenção sempre custa menos que o tratamento das consequências”.

A Comissão Permanente de Trabalho em Prol dos Animais, que representa protetores independentes e OSCs, mobiliza a sociedade civil para cobrar a reversão da medida. Uma petição pública online já foi lançada, e um ato de protesto está programado para o dia 20 de agosto, às 6h30, em frente à Subea, localizada na Rua Rui Barbosa, 3538. O objetivo é pressionar a Prefeitura a retomar os atendimentos e garantir o cumprimento do dever constitucional de proteger a fauna.

A atuação das protetoras e das OSCs vai além do cuidado com os animais: é um serviço de interesse público, voltado à prevenção de doenças transmissíveis, à manutenção da saúde comunitária e ao controle do abandono de animais. Sem apoio efetivo do poder público, esses serviços voluntários enfrentam sobrecarga e limitações que colocam em risco tanto os pets quanto a população.

O debate sobre a suspensão dos atendimentos expõe a fragilidade da gestão municipal no cumprimento de promessas de campanha e na priorização de políticas públicas de saúde animal. A postura da prefeita Adriane Lopes evidencia que, apesar de compromissos eleitorais, a execução de políticas efetivas ainda carece de planejamento e atenção, penalizando quem depende diretamente dos serviços.

A mobilização prevista pelas protetoras busca sensibilizar a população e fortalecer a pressão sobre a Prefeitura, ressaltando a importância de um serviço contínuo e eficaz. A expectativa é que, com participação popular, seja garantido o retorno imediato dos atendimentos e a retomada de procedimentos de castração, resgate e cuidados básicos para os animais da cidade.

A situação, além de denunciar falhas administrativas, evidencia o papel crítico da sociedade civil organizada na defesa de direitos e serviços essenciais. A mobilização das protetoras reforça que políticas públicas não podem ser condicionadas à conveniência administrativa e que a saúde pública e o bem-estar animal dependem de compromisso real do Poder Executivo.

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