A manhã desta quarta-feira (3) marcou o início da Operação Sintonia Fina, deflagrada pela FICCO/PE (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Pernambuco), destinada a desarticular uma quadrilha que atuava de forma violenta e estruturada no tráfico de drogas e armas, homicídios e lavagem de dinheiro. A operação, que mobilizou forças em Campo Grande (MS) e mais dez cidades sendo nove em Pernambuco e uma em São Paulo, evidenciou a extensão nacional do grupo e a complexidade de suas atividades ilícitas.
Investigado desde 2024, o grupo criminoso apresentou um padrão de atuação que combinava violência, poder de intimidação e estratégias sofisticadas de movimentação financeira. As apurações mostraram que, após a prisão do principal líder, atualmente detido em presídio federal, foi possível identificar toda a cadeia de comando, incluindo os responsáveis por manter o monopólio do tráfico em unidades penais e coordenar operações financeiras por meio de empresas de fachada e contas em nome de “laranjas”, totalizando mais de R$ 328 milhões.
Estrutura da quadrilha e ramificações nacionais
Durante a investigação, elementos de outras operações, como Manguezais e La Catedral, foram incorporados, revelando irregularidades graves no sistema prisional de Pernambuco. Entre os alvos da Operação Sintonia Fina estão detentos e ex-servidores penitenciários que facilitavam a manutenção das atividades ilícitas. Foram expedidos 21 mandados de prisão preventiva, 31 mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio de bens e valores, cumpridos em Campo Grande, Itanhaém (SP), Recife, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Igarassu, Abreu e Lima, Itaquitinga, Paudalho, Tacaimbó e Caruaru.
O principal líder da quadrilha, Lyferson Barbosa da Silva, conhecido como “Mago”, exercia funções de “chaveiro” dentro do presídio de Igarassu, controlando o fluxo de drogas e a vida luxuosa de detentos, incluindo festas, comida por delivery e acesso a garotas de programa. Lyferson foi transferido para a Penitenciária Federal em Campo Grande desde 2024, mas mantinha a administração remota do tráfico de crack e do monopólio de drogas dentro da unidade penal.
Envolvimento de agentes públicos e corrupção
As investigações apontam para a conivência de servidores penitenciários e ex-dirigentes do sistema prisional de Pernambuco, incluindo Charles Belarmino de Queiroz, ex-diretor do presídio de Igarassu, e André de Araújo Albuquerque, ex-secretário executivo de Administração Penitenciária e Ressocialização. O esquema de regalias e propinas garantiu a manutenção da ordem da quadrilha dentro da unidade, transformando o presídio em um centro de negócios ilícitos e violento controle territorial.
Além das atividades dentro do presídio, a quadrilha manteve ramificações financeiras sofisticadas fora das penitenciárias, movimentando valores milionários por meio de empresas de fachada e contas de terceiros, demonstrando a interconexão entre o crime organizado e o sistema financeiro formal, dificultando o rastreamento de recursos.
Impacto e desafios para a segurança pública
A Operação Sintonia Fina revela a complexidade do crime organizado no Brasil, a atuação coordenada de quadrilhas em diferentes estados e a fragilidade do sistema prisional diante da corrupção e da conivência interna. Especialistas destacam que ações como esta são essenciais para desarticular organizações criminosas, interromper ciclos de violência e resgatar a integridade do sistema penitenciário.
As forças de segurança enfatizam que a investigação continuará, buscando identificar todos os envolvidos, recuperar ativos e garantir que o sistema prisional não seja mais utilizado como plataforma de expansão do crime organizado.
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