A mais recente análise conjunta da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) trouxe dados que reforçam um movimento de retração no preço dos alimentos básicos em boa parte do país. O levantamento referente a agosto de 2025 apontou que em 24 das 27 capitais pesquisadas o custo da cesta básica apresentou queda, refletindo uma combinação de fatores ligados à maior oferta de alguns produtos e ao comportamento do consumo interno. Em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, a retração foi de 0,90% em relação a julho, fixando o valor médio da cesta em R$ 768,79.
No recorte local, quatro dos treze produtos que compõem a cesta apresentaram redução nos preços médios. O tomate registrou a queda mais expressiva, com retração de 18,95%, seguido pela batata (-13,97%), arroz agulhinha (-1,28%) e café em pó (-0,47%). Apesar do recuo modesto em parte dos itens, a redução é considerada significativa diante do peso desses produtos na mesa da população, já que compõem a base alimentar cotidiana.
O acumulado do ano em Campo Grande mostra uma variação ainda mais relevante: oito produtos apresentaram redução, com destaque para a batata (-32,35%) e o arroz agulhinha (-28,77%). Outros alimentos importantes como banana, feijão carioca, óleo de soja, manteiga, açúcar cristal e carne bovina de primeira também registraram retrações. Na análise dos últimos doze meses, a batata aparece como o produto com a maior queda, acumulando -52,15%, seguida pelo arroz (-26,16%) e pela banana (-17,23%).
A queda verificada em Campo Grande reflete uma dinâmica que se repetiu em outras capitais. Entre as cidades com maiores reduções no custo da cesta em agosto destacam-se Maceió (-4,10%), Recife (-4,02%), João Pessoa (-4,00%), Natal (-3,73%), Vitória (-3,12%) e São Luís (-3,06%). Em outras 11 capitais, a queda superou a margem de 2%.
No detalhamento por produto, os destaques nacionais foram semelhantes ao cenário de Campo Grande. O preço do tomate caiu em 25 capitais, com destaque para Brasília (-26,83%) e Belém (-3,13%). A maior oferta da safra pressionou os preços no varejo. O arroz agulhinha também apresentou queda em 25 capitais, com destaque para Macapá (-8,78%) e Florianópolis (-5,79%), movimento explicado pela maior oferta e pela resistência dos produtores em comercializar diante da expectativa de preços melhores. O feijão, tanto o tipo carioca quanto o preto, também recuou em 25 capitais, puxado pela normalização da colheita.
Outro item que contribuiu para a redução foi a batata, que teve queda em praticamente todas as capitais, exceto Belo Horizonte, onde houve aumento de 2,62%. Em Florianópolis a retração chegou a -18,35%. O açúcar cristal também registrou queda em 22 capitais, sustentada pela baixa demanda interna. Já o café em pó, item de forte consumo nas famílias brasileiras, caiu em 24 cidades, com destaque para Brasília (-5,50%). A carne bovina de primeira recuou em 18 capitais, ainda que o setor enfrente dificuldades com as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Especialistas avaliam que os números revelam um cenário de respiro no orçamento familiar, mas alertam que os efeitos podem ser temporários. A oscilação de preços de itens agrícolas depende de fatores como safra, condições climáticas e demanda internacional. Produtos como óleo de soja, por exemplo, registraram alta em 17 capitais devido à pressão do mercado externo, mesmo com recuo em outras regiões.
A parceria entre Conab e Dieese, formalizada em 2024, ampliou a coleta de preços da cesta básica de 17 para 27 capitais, permitindo uma leitura mais precisa do cenário alimentar brasileiro. O levantamento serve de subsídio à formulação de políticas públicas de segurança alimentar e abastecimento, fundamentais diante das desigualdades regionais no acesso a alimentos.
O dado central que emerge da análise é que, embora a retração dos preços da cesta básica seja uma boa notícia para os consumidores, ainda há desafios para garantir estabilidade no médio e longo prazo. A conjuntura econômica, as pressões inflacionárias e a dependência do mercado internacional para alguns produtos mantêm incertezas sobre a manutenção dessa tendência.
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