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Mato Grosso do Sul, 19 de maio de 2024
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Ricardo Salles critica operação na Amazônia que resultou na maior apreensão de madeira da história do Brasil

Imagem aérea das toras apreendidas no final de 2020 - Fotos: Divulgação Polícia Federal
Imagem aérea das toras apreendidas no final de 2020 - Fotos: Divulgação Polícia Federal

No final de dezembro do ano passado, a Polícia Federal confiscou mais de 40 mil toras de madeira nativa extraída da Amazônia, operação que foi considerada a maior da história do país. O volume apreendido passou de 200 mil m3 de madeira, que foram localizadas na divisa entre os estados do Pará e do Amazonas.

A descoberta da carga se deu depois que uma balsa com documentação irregular foi encontrada em novembro, navegando no rio Mamuru, na área do município amazonense de Parintins. A partir daí, a Polícia Federal (PF) começou a investigar o movimento de madeireiros com a ajuda de imagens de satélite.

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve no Pará para fazer uma “verificação” da madeira apreendida. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, ele criticou a operação da PF e afirmou que houve falhas na ação e que as empresas proprietárias das toras teriam razão para contestar a investigação. Salles teria comprovado a origem de duas toras… Sim, duas!

Indignado, Alexandre Saraiva, chefe do órgão no Amazonas, disse que é a primeira vez que vê um ministro do Meio Ambiente se posicionar contra a proteção da Floresta Amazônica. E ressaltou: “Na Polícia Federal não vai passar boiada”, em referência à famosa frase de Salles, que propôs que o governo aproveitasse que “a imprensa só falava de COVID” para “alterar leis, sem passar pelo Congresso”.

“É o mesmo que um ministro do Trabalho se manifestar contrariamente a uma operação contra o trabalho escravo. A apuração do caso está sob meu comando”, rebateu Saraiva, em entrevista à Folha.

Segundo o chefe da PF, os proprietários da madeira apreendida ainda não entregaram a documentação solicitada pelos investigadores e ele realmente acredita que as toras são “produto de ação criminosa”.

Entre os crimes apontados pela Polícia Federal estão irregularidades no plano de manejo e no Cadastro Ambiental Rural (CAR) da área. Além disso, as empresas envolvidas na investigação já possuem mais de 20 autuações do Ibama.

“É uma organização criminosa. Não merecem nem a denominação de empresas. Têm a vida dedicada ao crime, ao furto de bens públicos, à fraude e à corrupção de servidores públicos”, garante Saraiva.

Ipê: a principal vítima da extração ilegal de madeira

A apreensão histórica feita no Pará em 2020 aconteceu semanas após os brasileiros ficarem sabendo que, em agosto do ano passado, o governo retirou o ipê da lista internacional de espécies ameaçadas de extinção. A espécie é uma das mais visadas por madeireiros na Amazônia porque sua madeira é uma das mais cobiçadas no mercado internacional.

A retirada do ipê da referida lista foi pedida pelo Ministério de Relações Exteriores, que atendia a uma solicitação do presidente do Ibama, Eduardo Bim, com total apoio do Ministério do Meio Ambiente.

Em março, tinhamos mostramos também que madeireiros agradeceram publicamente ao Ibama por reduzir a documentação necessária para a exportação de seus produtos. O instituto atendeu aos pedidos do setor e diminuiu a “burocracia” necessária para a exportação de madeira nativa no Brasil, como o ipê, a itaúba e a maçaranduba.

Não é surpresa então que com o afrouxamento da “burocracia” para a exportação da madeira brasileira, o comércio ilegal tenha visto uma nova oportunidade para colocar a floresta no chão e destruir ainda mais a Amazônia.

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