Mato Grosso do Sul, 3 de abril de 2025
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Rússia anuncia maior recrutamento militar em mais de uma década e eleva idade para serviço obrigatório

Putin convoca 160 mil novos soldados em meio à guerra na Ucrânia e aumenta limite de idade para recrutamento
Exército russo - Foto: Natalia Kolesnikova / AFP
Exército russo - Foto: Natalia Kolesnikova / AFP

A Rússia deu início à maior convocação militar desde 2011. O presidente Vladimir Putin ordenou o recrutamento de 160 mil jovens para expandir as Forças Armadas, num movimento que acontece em meio à guerra contra a Ucrânia e à crescente pressão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre o governo russo.

A nova campanha de alistamento se estende até julho e já supera a do ano passado, com um aumento de 10 mil recrutas. Além disso, o governo elevou a idade máxima para convocação de 27 para 30 anos, ampliando ainda mais o número de cidadãos obrigados ao serviço militar.

Expansão militar e reforço no contingente

O Kremlin tem um plano ambicioso para aumentar o número total de soldados ativos para 1,5 milhão e elevar o contingente total das Forças Armadas para 2,39 milhões até 2027. A Rússia tem buscado consolidar sua posição como uma potência militar global e, segundo especialistas, o aumento no efetivo pode ter objetivos estratégicos além da guerra na Ucrânia.

Nos últimos meses, Moscou tem intensificado sua presença militar não apenas nas regiões ucranianas ocupadas, mas também em áreas de influência russa, como a região do Cáucaso, a Ásia Central e o Ártico. O fortalecimento das tropas russas sugere que o governo de Putin se prepara para um conflito prolongado e para possíveis enfrentamentos indiretos com potências ocidentais, incluindo Estados Unidos e União Europeia.

Embora o governo russo afirme que os novos convocados não serão enviados para a linha de frente na Ucrânia, há inúmeros relatos de jovens recrutados que acabaram mortos nos primeiros meses do conflito. Desde 2022, a Rússia tem adotado estratégias diversas para recompor suas forças, incluindo o recrutamento de militares contratados, combatentes estrangeiros e mercenários de países aliados.

Rússia se prepara para guerra prolongada

A decisão de Putin de expandir seu exército levanta dúvidas sobre as reais intenções do Kremlin. Analistas militares indicam que Moscou pode estar antecipando novos embargos econômicos e o envio de mais armamentos ocidentais para a Ucrânia, o que tornaria o conflito ainda mais difícil de ser resolvido.

Outro fator determinante é a questão territorial. Desde o início da guerra, a Rússia já anexou quatro regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. Entretanto, a resistência ucraniana e o apoio militar da Otan impediram que o avanço russo fosse tão rápido quanto Moscou esperava. Com um exército maior, Putin pode tentar consolidar essas conquistas e até expandir a ocupação de novos territórios.

O ministro da Defesa russo justificou a nova convocação afirmando que o país enfrenta “ameaças crescentes” e que precisa de um exército maior para proteger suas fronteiras e interesses estratégicos. Essa retórica tem sido usada pelo governo para convencer a população russa da necessidade de uma guerra de longo prazo.

Conflito na Ucrânia segue sem trégua

Enquanto a Rússia amplia suas forças, o conflito na Ucrânia segue sem sinais de cessar-fogo. Na terça-feira (1º), a Ucrânia denunciou um ataque russo contra uma instalação elétrica na cidade de Kherson, deixando 45 mil pessoas sem energia. Por outro lado, Moscou anunciou que suas tropas assumiram o controle da aldeia de Rozlyiv, na região de Donetsk.

Os combates se intensificaram nos últimos meses, e especialistas afirmam que a Rússia busca consolidar territórios estratégicos antes do início de qualquer negociação de paz. Apesar das tentativas dos Estados Unidos de intermediar um cessar-fogo, tanto Rússia quanto Ucrânia seguem reforçando suas posições militares.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tem repetidamente alertado que qualquer cessar-fogo sem a retirada das tropas russas dos territórios ocupados seria inaceitável. Por outro lado, Putin insiste que as regiões anexadas pertencem à Rússia e não serão devolvidas. Esse impasse dificulta qualquer acordo de paz e sugere que a guerra pode se prolongar por anos.

Países vizinhos reforçam defesa contra ameaças russas

A nova ofensiva russa e o crescimento de seu exército preocupam os países da Otan, que seguem reforçando suas defesas. Desde o início da guerra, Finlândia e Suécia ingressaram na aliança militar, ampliando as fronteiras da Otan com a Rússia.

A Finlândia, que compartilha 1.343 km de fronteira com a Rússia, anunciou sua saída da Convenção de Ottawa, que proíbe o uso de minas terrestres. A medida acompanha ações semelhantes tomadas por Polônia, Lituânia e Estônia, que têm reforçado sua segurança para se protegerem de possíveis ameaças militares vindas de Moscou.

Além disso, o governo finlandês anunciou um aumento expressivo nos investimentos em defesa, elevando os gastos militares para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), superando os 2,4% registrados no ano anterior.

Impacto internacional e futuro do conflito

A decisão de Vladimir Putin de aumentar as forças militares russas indica que o conflito na Ucrânia pode se prolongar por mais tempo do que o esperado. Para especialistas, a expansão do exército russo pode ser um sinal de que Moscou se prepara para uma guerra de longo prazo, ao invés de buscar uma solução diplomática imediata.

A Rússia também pode estar planejando uma reconfiguração de suas forças militares para além da Ucrânia. O fortalecimento das tropas pode indicar um interesse em projetar poder em outras áreas, como a Ásia Central, onde Moscou busca reafirmar sua influência em ex-repúblicas soviéticas.

Enquanto isso, as potências ocidentais seguem enviando apoio militar e financeiro à Ucrânia. A expectativa é que os próximos meses sejam cruciais para definir os rumos do conflito e o impacto da nova convocação militar russa no cenário internacional.

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