Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Safra de soja 2025/26 do Brasil começa em setembro com desafios climáticos, custos elevados e atraso nas vendas

Produtores iniciam plantio em meio a altas temperaturas, expectativa de La Niña, crédito restrito e cautela no mercado de comercialização
Imagem - Portal Adama
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O mês de setembro marca oficialmente o início da safra de soja 2025/26 no Brasil. Com o fim do vazio sanitário, produtores rurais, em especial no Paraná, já se preparam para a semeadura em um cenário que mistura oportunidades e preocupações. A nova temporada começa com áreas em expansão, embora de forma mais modesta, e com a necessidade de atenção redobrada às condições climáticas e aos custos de produção, que seguem pressionando o setor.

O clima é o fator central neste início de safra. As previsões meteorológicas indicam calor intenso em boa parte do país, com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C em regiões do Centro-Oeste, Tocantins e interior do Nordeste. O fenômeno La Niña, cuja possibilidade de ocorrência é considerada de baixa intensidade, também está no radar dos agricultores, que sabem o impacto que ele pode ter sobre o regime de chuvas. Apesar do risco, algumas projeções apontam que as precipitações de setembro podem ficar levemente acima da média em áreas estratégicas do Centro-Oeste, norte de Minas Gerais e sul da Bahia.

Enquanto monitoram o clima, os sojicultores também enfrentam dificuldades no campo econômico. Os custos de formação de lavoura seguem elevados, especialmente na adubação, que ficou até 3,5 sacas por hectare mais cara em relação ao ano anterior, segundo levantamentos técnicos. Essa realidade levou produtores a reduzirem investimentos e buscarem maior eficiência no uso de insumos acumulados em safras passadas. O crédito restrito e os juros altos reforçam a cautela.

A comercialização da safra nova é outro ponto de alerta. Menos de 20% da produção 2025/26 já foi negociada até setembro, percentual bem abaixo da média histórica para este período, que supera 25% e, em alguns anos, chegou a 30%. O receio dos agricultores se explica pelas cotações futuras mais baixas em comparação aos preços atuais. A estratégia de segurar vendas pode trazer riscos caso a safra brasileira bata novo recorde de produção, situação que concentraria volumes elevados de soja para serem vendidos durante a colheita, entre fevereiro e maio, período em que os prêmios tendem a ficar negativos devido à oferta abundante e à limitação da capacidade de embarque nos portos.

As previsões apontam para uma área de cultivo estimada em 48,13 milhões de hectares, crescimento de 1,43% em relação à safra 2024/25. A produtividade média projetada é de 57,68 sacas por hectare, o que pode resultar em colheita recorde de 166,56 milhões de toneladas. O número reforça o peso do Brasil no mercado global da oleaginosa, mas também amplia as incertezas sobre os preços internos.

No Rio Grande do Sul, os desafios se acumulam. O estado, que já enfrentou quatro safras consecutivas marcadas por adversidades climáticas severas, ainda apresenta atraso nas compras de fertilizantes, com cerca de 35% do mercado em aberto. Analistas apontam para uma inevitável redução no nível de adubação na região, embora ainda não esteja claro qual será a magnitude desse corte.

A conjuntura mostra que a safra 2025/26 exigirá equilíbrio entre ousadia e prudência. Produtores terão que lidar com variáveis climáticas intensas, custos de produção elevados, crédito escasso e riscos de mercado, mas ao mesmo tempo contam com a resiliência que consolidou o Brasil como maior produtor e exportador mundial de soja. A próxima temporada será um teste de estratégia e gestão em todos os elos da cadeia produtiva, do plantio à comercialização.

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