Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Servidores são identificados por violar sigilo de ministros do STF e familiares em esquema de extração ilegal de dados

Supremo Tribunal Federal determina afastamento, tornozeleira eletrônica e quebra de sigilos de funcionários ligados à Receita Federal suspeitos de espionagem
Segundo o ministro, as investigações iniciais demonstraram a existência de “bloco de acessos"
Rosinei Coutinho/STF
Segundo o ministro, as investigações iniciais demonstraram a existência de “bloco de acessos" Rosinei Coutinho/STF

A investigação sobre o acesso ilegal a dados fiscais e informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal avançou com a identificação de quatro servidores públicos apontados como responsáveis pela extração indevida de informações protegidas por lei. As medidas foram determinadas após representação da Procuradoria-Geral da República e autorizadas pelo próprio STF diante da gravidade dos fatos.

Os investigados são Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Todos são servidores da Receita Federal do Brasil ou cedidos ao órgão e teriam utilizado acesso funcional para consultar dados fiscais de ministros da Corte e de seus familiares.

Segundo a apuração, o grupo teria atuado a partir de acessos internos aos sistemas informatizados, utilizando credenciais legítimas para realizar consultas indevidas. O monitoramento não se limitou aos magistrados, mas também incluiu cônjuges, filhos e outros parentes. Levantamento automatizado identificou que mais de cem pessoas foram alvo das consultas.

Diante da suspeita de infiltração criminosa em bases de dados sensíveis do Estado, o Supremo determinou uma série de medidas cautelares para impedir a continuidade da prática e preservar as provas. Os quatro servidores foram afastados imediatamente de suas funções públicas e estão proibidos de acessar qualquer sistema da Receita Federal ou do Serviço Federal de Processamento de Dados.

Além do afastamento, foi determinado recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. A decisão também incluiu retenção de passaportes e impedimento de saída do país. A Justiça autorizou ainda busca e apreensão nas residências dos investigados, bem como a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático para rastrear eventual repasse das informações a terceiros.

A investigação busca esclarecer quem seriam os destinatários finais dos dados extraídos. O rastreamento digital permitiu identificar detalhes técnicos das consultas, como tempo de acesso aos sistemas, número de páginas visualizadas e possíveis downloads ou impressões de relatórios. Esses elementos são considerados essenciais para compreender a dimensão do esquema.

As autoridades apontam que o núcleo da operação estaria concentrado no Rio de Janeiro. Um dos servidores já era citado em apurações paralelas envolvendo acesso irregular a informações financeiras relacionadas a investigações em curso no país. O caso ocorre em meio a outras apurações sensíveis, o que amplia a preocupação com a segurança das bases de dados governamentais.

A quebra de sigilo fiscal sem autorização judicial é considerada crime funcional e pode resultar em perda do cargo público, além de responsabilização penal. O acesso indevido a dados protegidos compromete a confiança nas instituições e representa risco à integridade de informações estratégicas do Estado.

Os quatro servidores deverão prestar depoimento à Polícia Federal nos próximos dias. A corporação trabalha na consolidação das provas e na análise de equipamentos apreendidos, como computadores e dispositivos eletrônicos, para identificar eventuais conexões externas.

O episódio expõe a importância de reforçar mecanismos de controle interno e auditoria nos sistemas públicos. Órgãos que lidam com informações fiscais e pessoais operam sob rígidas normas de segurança justamente para evitar abusos de acesso. Quando servidores utilizam suas credenciais para fins ilegais, a violação ultrapassa o campo administrativo e atinge o próprio funcionamento das instituições democráticas.

A apuração segue sob sigilo judicial. O Supremo deverá avaliar, após manifestação da investigação, se as medidas cautelares serão mantidas ou ampliadas. O caso é tratado como grave violação à segurança informacional do Estado e poderá resultar em denúncia formal após a conclusão do inquérito.

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