Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Sistema FAEP cobra ampliação urgente de crédito e medidas eficazes para aliviar endividamento rural no Paraná

Entidades do setor pedem ação imediata do governo federal diante de cinco safras consecutivas com perdas, altos custos de produção e crise crescente entre pequenos e médios produtores
Temporal derrubou barracão com sacas de sementes e insumos
Temporal derrubou barracão com sacas de sementes e insumos

O agravamento das dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais do Paraná levou o Sistema FAEP, junto a entidades representativas do setor agropecuário, a encaminhar um pedido formal ao governo federal para ampliar o crédito destinado à amortização de dívidas provocadas por eventos climáticos. O documento, entregue nesta sexta-feira, 7 de novembro, reflete a preocupação crescente com o impacto de cinco safras consecutivas comprometidas por perdas, aumento dos custos de insumos e queda na produtividade.

A solicitação também inclui a liberação imediata dos valores de subvenção ao prêmio do seguro rural que já foram contratados e ainda não repassados às seguradoras. O objetivo é evitar que esses valores recaiam sobre os produtores, agravando o endividamento em um cenário já marcado por prejuízos recorrentes.

Além do Sistema FAEP, assinaram o pedido a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), o Sistema Ocepar, a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab) e a União de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado do Paraná (Unicafes Paraná). A iniciativa conjunta reforça a urgência de medidas estruturais para conter a deterioração das condições financeiras de milhares de famílias que dependem diretamente da produção agrícola.

Nos últimos meses, diferentes regiões do Paraná foram atingidas por temporais intensos que destruíram lavouras e estruturas, agravando os prejuízos de um ciclo que já vinha sofrendo com estiagens, pragas e custos elevados de insumos. O presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que a soma desses fatores vem dificultando as negociações dos produtores com as instituições financeiras. Segundo ele, o atual modelo de crédito rural tornou-se limitado diante da realidade climática e econômica do campo, o que exige ação urgente do governo federal para evitar o colapso de diversas cadeias produtivas.

Atualmente, o acesso ao crédito é regido pela Resolução 5.247 do Conselho Monetário Nacional, que restringe as possibilidades de financiamento e renegociação de dívidas. No Paraná, apenas 129 dos 399 municípios estão enquadrados nas condições exigidas pela normativa, o que representa pouco mais de 30% do total. Essa limitação desconsidera variáveis importantes, como perdas acumuladas, impacto de eventos climáticos e oscilações de mercado, deixando grande parte dos produtores sem alternativas de amparo financeiro.

Outro ponto de preocupação é o critério de perda mínima de produtividade agrícola, estabelecido pela resolução, que inviabiliza o acesso ao crédito para quem já carrega dívidas anteriores. O regramento também restringe o apoio às perdas registradas apenas entre julho de 2020 e junho de 2025, sem incluir danos recentes provocados por tempestades e chuvas severas que atingiram o estado em novembro.

A reivindicação das entidades busca, portanto, garantir que o auxílio chegue efetivamente aos produtores, com menos burocracia e maior sensibilidade diante da gravidade do cenário. O pedido envolve não apenas a ampliação do crédito, mas também a revisão dos critérios de acesso, de modo a considerar a realidade de cada região e o acúmulo de perdas sucessivas.

Entre os setores mais afetados está a cadeia produtiva do leite, que atravessa uma das crises mais severas dos últimos anos. O valor pago pela matéria-prima não cobre os custos de produção, situação que compromete diretamente a rentabilidade das pequenas e médias propriedades. Dados técnicos apontam que milhares de produtores estão operando no prejuízo, muitos deles endividados e sem condições de manter o equilíbrio financeiro de suas atividades.

Diante dessa situação, diversas famílias rurais têm recorrido à ampliação da produção como forma de compensar as perdas, estratégia que, paradoxalmente, aumenta a oferta e pressiona ainda mais os preços pagos pela indústria. O resultado é um ciclo de instabilidade que ameaça a continuidade de uma das bases da economia de centenas de municípios paranaenses.

Para o Sistema FAEP, o conjunto de dificuldades que atinge o campo paranaense exige respostas rápidas, concretas e articuladas entre os diferentes níveis de governo. O setor agrícola, responsável por grande parte da geração de renda e emprego no estado, vem enfrentando desafios consecutivos que não se restringem apenas aos eventos climáticos, mas também à defasagem nos preços de mercado e à concorrência desleal com produtos importados.

A carta encaminhada ao governo federal reforça que o crédito rural precisa ser revisto com urgência, garantindo liquidez e segurança aos produtores. Sem isso, o risco é de retração nas atividades, redução da produção e êxodo rural em regiões fortemente dependentes da agropecuária.

A expectativa é de que as autoridades econômicas e agrícolas adotem medidas emergenciais para assegurar o repasse dos recursos, ampliar o acesso ao crédito e restabelecer as condições necessárias à recuperação financeira do setor. A estabilidade do campo paranaense, segundo as entidades, é fundamental não apenas para o equilíbrio econômico do estado, mas também para a segurança alimentar e a sustentabilidade do agronegócio nacional.

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