Preso desde o dia 17 de março acusado de agredir violentamente a namorada, o músico Philipe Eugenio Calazans de Sales foi solto após conseguir uma liminar da Justiça. A decisão, assinada pelo desembargador Fernando Paes de Campos, saiu no dia 28 de março e determinou que ele use tornozeleira eletrônica e mantenha distância mínima de 300 metros da vítima, dos familiares dela e de qualquer testemunha do caso.
A Justiça também ordenou que Philipe compareça a todos os atos do processo e siga todas as regras impostas, sob o risco de voltar para a cadeia se descumprir qualquer uma das medidas. O equipamento de monitoramento vai acompanhar o músico por 180 dias, ou seja, seis meses. O alvará de soltura foi emitido logo depois da decisão.
O habeas corpus foi pedido pela defesa do músico, e o caso foi julgado na última quinta-feira pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Até agora, não foi divulgado se os outros desembargadores acompanharam o voto do relator. O processo segue em sigilo.
A reportagem procurou o advogado Luiz Rene Gonçalves do Amaral, responsável pela defesa de Philipe, mas ele disse que não vai se manifestar. Fontes próximas confirmaram que o músico já está usando a tornozeleira desde o dia 27 de março.
A vítima, uma jornalista de 37 anos, gravou um vídeo pouco depois da agressão. Ela aparece com o rosto sangrando, abalada e segurando a filha pequena no colo. No vídeo, ela faz um desabafo forte e doloroso: “Eu fui agredida. Ele não vai mais encostar a mão na minha filha. Por p… nenhuma, ele me bateu.”
Segundo o relato prestado à polícia, a agressão aconteceu dentro de casa. A jornalista contou que foi atacada com vários golpes enquanto segurava a criança. Ela acredita que Philipe só parou ao perceber que a filha estava nos braços dela. Após a agressão, ela correu até a casa de uma vizinha, de onde conseguiu gravar o vídeo e mandar para os irmãos.
Um dos irmãos, que é policial civil, chegou rapidamente ao local. Eles foram até o condomínio onde o músico mora, no bairro Morada Verde, em Campo Grande. Ao encontrar o agressor, o irmão deu voz de prisão e contou com apoio da Polícia Militar para levá-lo até a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).
A notícia da soltura do músico revoltou a internet. Muitos internautas questionaram como alguém acusado de tamanha violência, com provas em vídeo, pode responder ao processo em liberdade, mesmo usando tornozeleira.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres e ativistas contra a violência doméstica também se manifestaram, dizendo que a tornozeleira não representa justiça e que medidas mais firmes precisam ser tomadas nesses casos. Para muitos, o episódio mostra como a Justiça ainda falha em proteger as vítimas de agressão, especialmente mulheres.
Enquanto isso, a jornalista tenta se recuperar emocionalmente e fisicamente. Ela tem recebido apoio da família, de redes de proteção e acompanhamento psicológico. Seu ato de coragem ao denunciar o agressor e mostrar o rosto ferido virou símbolo de resistência para muitas outras mulheres em situação parecida.
A sociedade segue atenta, cobrando justiça e pedindo que casos como esse não sejam tratados com leveza. A dor da vítima e o perigo que ela enfrentou não podem ser ignorados.
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