Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Surto silencioso: Mato Grosso do Sul enfrenta onda grave de dengue e chikungunya em meio

Boletim estadual revela mais de 13 mil casos prováveis, dezenas de mortes e alerta para falhas em prevenção e tratamento
Imagem - Pedro Gontijo
Imagem - Pedro Gontijo

Mato Grosso do Sul vive uma escalada preocupante de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. O mais recente boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), referente à 40ª semana de 2025, aponta 13.438 casos prováveis de dengue, sendo 8.172 confirmados, e 18 óbitos oficialmente registrados, além de outros 7 em investigação. Em paralelo, a chikungunya também avança, com 13.552 casos prováveis e 7.430 confirmações, resultando em 16 mortes. O quadro acende alerta em todas as regiões do estado e exige medidas firmes para conter o avanço das duas arboviroses que voltam a preocupar o sistema de saúde.

Expansão dos casos e distribuição regional

O boletim mostra que as notificações se espalham por praticamente todo o território sul-mato-grossense. As mortes por dengue ocorreram em Inocência, Três Lagoas, Nova Andradina, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã, Coxim, Iguatemi, Paranhos, Itaquiraí, Água Clara, Miranda, Aparecida do Taboado, Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, totalizando 18 óbitos confirmados. Sete das vítimas apresentavam comorbidades, fator que agrava a evolução da doença.

Nos últimos 14 dias, as cidades de Inocência, Nioaque, São Gabriel do Oeste, Paranaíba, Maracaju e Dourados registraram incidência considerada baixa, mas a SES alerta que o risco de disseminação continua alto devido à presença constante do vetor em áreas urbanas e rurais.

A situação da chikungunya também preocupa. O estado já registrou 16 óbitos decorrentes da infecção, em municípios como Dois Irmãos do Buriti, Vicentina, Naviraí, Terenos, Fátima do Sul, Dourados, Sidrolândia, Glória de Dourados, Maracaju e Iguatemi. Em 12 dessas mortes, as vítimas tinham doenças pré-existentes. O boletim ainda confirma 73 casos em gestantes, aumentando a atenção da rede pública para acompanhamento clínico e prevenção de complicações.

Avanços e limites da vacinação

A vacinação contra a dengue é uma das principais apostas para reduzir a gravidade dos casos. Mato Grosso do Sul já aplicou 188.875 doses do imunizante, de um total de 241.030 doses recebidas do Ministério da Saúde. O esquema vacinal prevê duas doses com intervalo de três meses, voltadas para o público entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias, faixa etária que apresenta o maior número de internações por dengue no estado.

Apesar do avanço da imunização, especialistas destacam que a cobertura ainda está aquém do necessário para garantir efeito coletivo. Em várias cidades, o ritmo de aplicação é desigual e a adesão das famílias ainda depende de campanhas educativas mais intensas.

Desafios enfrentados pelo sistema de saúde

O aumento simultâneo de casos de dengue e chikungunya pressiona as redes municipais de saúde. A superlotação de unidades básicas e hospitais é relatada em várias cidades, enquanto há dificuldade de diagnóstico rápido devido à semelhança dos sintomas entre as duas doenças — febre alta, dor muscular, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele e fadiga intensa.

A SES reforça que a automedicação é perigosa e que o uso inadequado de medicamentos pode agravar o quadro clínico, especialmente quando há sangramentos ou desidratação. O órgão orienta que qualquer paciente com sintomas suspeitos procure imediatamente uma unidade de saúde, evitando o uso de remédios sem prescrição médica.

Fatores ambientais e prevenção

As chuvas intermitentes e a má gestão de resíduos sólidos continuam sendo os principais aliados do Aedes aegypti. Em bairros periféricos e áreas de difícil acesso, ainda é comum o acúmulo de recipientes e entulhos que servem como criadouros do mosquito. A SES alerta para a necessidade de uma mobilização comunitária contínua, com visitas domiciliares, fiscalização de imóveis abandonados e eliminação de pontos de água parada.

O controle das arboviroses, conforme apontam técnicos da saúde, depende tanto da ação pública quanto da responsabilidade individual de cada cidadão, mantendo quintais limpos e reservatórios de água devidamente vedados.

O cenário atual coloca Mato Grosso do Sul em estado de alerta sanitário. O crescimento simultâneo dos casos de dengue e chikungunya, somado à mortalidade crescente e à persistência do vetor, evidencia a urgência de medidas mais eficazes. O sucesso das ações dependerá da integração entre governo, municípios e população, além da expansão da vacinação e da intensificação das campanhas de prevenção.

A luta contra o mosquito é uma batalha contínua e coletiva. Em meio ao avanço das duas doenças, o maior desafio do estado é transformar a conscientização em rotina, garantindo que cada morador seja parte ativa na defesa da saúde pública.

Confira os boletins:

Boletim Epidemiológico Dengue SE 40- 2025

Boletim Epidemiológico Chikungunya SE 40 – 2025

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