Um técnico de enfermagem, de 28 anos, foi preso preventivamente em Campo Grande após investigação apontar que ele teria submetido um adolescente de 14 anos, portador de deficiência severa, a repetidos episódios de tortura e maus-tratos durante o período em que prestava atendimento domiciliar. A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), que apura o caso como crime de extrema gravidade contra uma vítima totalmente dependente de cuidados especializados.
A investigação teve início após familiares perceberem mudanças preocupantes no comportamento do adolescente, que sofre de encefalopatia crônica, possui limitações severas e necessita de assistência integral durante todo o dia. Como o jovem não consegue se comunicar verbalmente, ele não tinha condições de relatar o que acontecia enquanto permanecia sob os cuidados do profissional contratado por uma empresa especializada em atendimento domiciliar.
Os pais começaram a notar alterações significativas no estado de saúde e no comportamento do filho. O adolescente passou a apresentar dificuldades para dormir, episódios frequentes de terror noturno, agitação intensa e um aumento expressivo das crises convulsivas, situação que despertou preocupação entre familiares e outros profissionais responsáveis pelo acompanhamento médico e terapêutico.
Diante das mudanças inesperadas, a família decidiu verificar as imagens registradas pelas câmeras de segurança instaladas na residência. Foi nesse momento que surgiram as primeiras evidências das agressões que, segundo a investigação, vinham sendo praticadas de forma recorrente durante os atendimentos.
As gravações mostraram o técnico de enfermagem realizando procedimentos considerados extremamente perigosos para a condição clínica do adolescente. Em diversos momentos, ele posicionava a cadeira de rodas da vítima de forma invertida, deixando a cabeça voltada para baixo e expondo o jovem ao risco de broncoaspiração, complicação que poderia provocar graves consequências respiratórias e até colocar sua vida em perigo.
Além dessa conduta, as imagens também registraram episódios em que o investigado desferia tapas na cabeça e no rosto do adolescente, mesmo sabendo que a vítima não tinha qualquer possibilidade de reagir ou pedir ajuda.
As investigações apontaram ainda outra situação considerada alarmante. Apesar de conhecer o histórico médico do adolescente, que apresenta sérios problemas pulmonares e necessita de cuidados constantes para preservar sua capacidade respiratória, o técnico de enfermagem fumava nas proximidades da vítima durante o atendimento, expondo o jovem à fumaça do cigarro e agravando ainda mais os riscos à sua saúde.
Após a análise do conjunto de provas reunidas durante a investigação, a DEPCA representou pela prisão preventiva do investigado. O pedido foi analisado pelo Poder Judiciário, que considerou a gravidade dos fatos, os indícios apresentados e autorizou a expedição do mandado de prisão.
O suspeito foi localizado, preso e conduzido para a delegacia, onde prestou depoimento aos investigadores. Após ser interrogado, permaneceu à disposição da Justiça para os procedimentos legais e para a realização da audiência de custódia.
A Polícia Civil continua apurando todos os detalhes do caso para verificar se houve outros episódios de violência durante o período em que o profissional atuava no atendimento domiciliar da vítima. Também serão analisadas todas as imagens disponíveis e demais elementos que possam reforçar a responsabilização criminal do investigado.
O caso provocou forte repercussão pela vulnerabilidade da vítima, que depende integralmente de terceiros para alimentação, locomoção, higiene e demais cuidados diários. As investigações destacam que justamente essa condição de extrema fragilidade tornou o adolescente ainda mais exposto às agressões praticadas por quem tinha a obrigação de protegê-lo e garantir sua segurança.
A apuração também deverá avaliar se houve falhas na fiscalização dos serviços prestados pela empresa responsável pela contratação do profissional e se outras medidas administrativas poderão ser adotadas durante o andamento do processo.
A Polícia Civil reforça que crimes cometidos contra crianças, adolescentes e pessoas com deficiência recebem tratamento prioritário e que denúncias de maus-tratos ou qualquer forma de violência devem ser comunicadas imediatamente às autoridades para que as medidas legais sejam adotadas e novas vítimas sejam protegidas.
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