Mato Grosso do Sul, 20 de junho de 2026
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Tia Carol é indiciada pela Polícia Civil por tortura, maus tratos e expor a vida ou saúde de crianças a perigo

Caroline Florenciano dos Reis Rech, 30, proprietária da creche Cantinho da Tia Carol, foi encaminhada ao presídio feminino de Rio Brilhante
Caroline Florenciano dos Reis Rech, 30, proprietária da creche Cantinho da Tia Carol, foi encaminhada ao presídio feminino de Rio Brilhante

Caroline Florenciano dos Reis Rech, 30, proprietária de uma creche clandestina que atendia crianças no Bairro Sol Nascente, em Naviraí, foi indiciada pela Polícia Civil por tortura, maus tratos e “exposição da vida ou saúde de outrem a perigo direito ou iminente”. A funcionária da creche, Mariana de Araújo Correa, 26, foi indiciada por omissão perante as torturas e maus tratos, além da ministração de medicamento cujo efeito colateral é sonolência.

As duas foram presas em flagrante no dia 10 deste mês. Mariana pagou fiança de um salário mínimo e foi solta, mas Caroline teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e está no presídio feminino de Rio Brilhante.

O inquérito policial foi concluído e encaminhado nesta quarta-feira (19) ao Poder Judiciário. Diante de documentos colhidos, a polícia verificou que o estabelecimento, denominado “Cantinho da Tia Carol”, apesar de popularmente conhecido como creche, tratava-se de residência que prestava serviços de cuidados a crianças, sem fins educacionais e não possuía alvará de funcionamento. A investigação, de responsabilidade da Delegacia de Atendimento à Mulher de Naviraí, apurou denúncias de maus-tratos, tortura e omissão cometidos pelas investigadas, contra, pelo menos, 20 crianças de até 7 anos.

Os elementos probatórios coletados ao longo da investigação apontam que Caroline agredia física e psicologicamente as crianças de maneira explícita, convicta da impunidade de cometer os atos ilícitos há meses, sem que nenhuma ação fosse tomada. Estava convicta nas dissimulações que fazia com os pais das vítimas e segura de que não seria descoberta porque boa parte das crianças sequer conseguia falar, já que eram bebês.

“Os depoimentos são consistentes e confirmam diversas informações que levam à conclusão de que as violações ocorridas no local eram sistêmicas, contínuas e extremamente graves, a ponto de ter colocado em risco a vida de inúmeras crianças, há, no mínimo, seis meses, quando a proprietária passou a cuidar das crianças no estabelecimento”, afirma a polícia. O local atendia cobrava valor médio de R$ 280 por mês, por criança.

Entre as agressões narradas pelas testemunhas há relatos de tapas pelo corpo, pescoço, rosto, beliscões e puxões de cabelo. Os atos serviam para castigar e disciplinar as crianças, mas, as agressões eram imputadas a outras crianças ou a algum tipo de acidente doméstico, pela proprietária da creche, quando questionada pelos pais.

Fezes no rosto

Alguns episódios relatados no inquérito chamaram a atenção da Polícia Civil durante a investigação. Em um deles, a proprietária do local teria esfregado a calcinha suja de fezes no rosto da vítima, de seis anos, portadora do espectro autista, a fim de puni-la por defecar e doutriná-la conforme seu método, tendo a criança relatado que a proprietária mandou que ela ainda comesse as fezes, mas a criança se negou.

Outro relato aponta que uma criança de três anos teria vomitado durante uma refeição e a proprietária teria esfregado o prato com o vômito no rosto da criança. Há ainda, relatos de que crianças faziam xixi na roupa, e eram colocadas em situação vexatória porque a proprietária obrigava as outras crianças a fazerem roda, bater palmas e os chamarem de ‘mijões’, além disso ameaçava de cortar o órgão genital das crianças caso voltassem a fazer xixi em seu colchão.

Houve relato de que uma das crianças teve a roupa molhada de xixi esfregada no rosto como forma de castigo. De acordo com o relato da mãe de uma das crianças, de sete anos, a filha contou que devia ficar sentada assistindo tv, porque se fizesse bagunça a proprietária iria deixá-la de castigo, ajoelhada no milho até o joelho sangrar.

Outra mãe perguntou para o filho por que ele nunca havia falado sobre tais agressões, ele respondeu que não falou porque Caroline o ameaçou, dizendo que caso ele falasse, iria colocá-lo de castigo, deixando-o ajoelhado até os joelhos sangrarem.

Câmeras instaladas pela Polícia Civil, com autorização judicial, captaram, nas primeiras horas de monitoramento, imagens de agressões físicas contra uma bebê de onze meses, em uma das imagens foi possível observar a proprietária jogando uma mamadeira na direção da criança, que apesar de passar perto não a acerta, sendo a bebê em seguida levantada brutalmente pelo cabelo para ser ajeitada no colchão.

Em outro momento, a bebê foi deixada sozinha com uma mamadeira, enquanto mamava as cuidadoras ficavam em outra parte do cômodo, sem visão da bebê, colocando-a em risco de eventual engasgamento. Há imagem que mostra uma cuidadora colocando um travesseiro sobre o rosto da bebê, antes de colocá-lo embaixo da cabeça dela, para em seguida dar-lhe medicamento para dormir.

 

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