Na manhã desta segunda-feira (24), trabalhadores rurais do Movimento Popular de Lutas (MPL) realizaram uma série de manifestações em Mato Grosso do Sul, bloqueando rodovias e ocupando a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Campo Grande. Os protestos ocorreram nas rodovias BR-163, no município de Naviraí, e BR-267, em Nova Alvorada do Sul, com o objetivo de pressionar o governo federal a atender as demandas por reforma agrária, melhoria nas condições de vida dos acampados e o avanço das políticas sociais no estado.
As mobilizações têm como principal reivindicação o assentamento de famílias que vivem em acampamentos precários, muitas vezes sem acesso a infraestrutura básica como água potável, energia elétrica e saneamento básico. De acordo com o MPL, essas famílias enfrentam condições desumanas de moradia e sobrevivência, o que tem gerado crescente insatisfação e revolta. Em um manifesto distribuído pelo movimento, as lideranças declararam: “As famílias que vivem em acampamentos não suportam mais as condições precárias em que se encontram, sem o mínimo de infraestrutura básica. Exigimos que sejam assentadas com dignidade!”
Os trabalhadores também criticam a falta de diálogo do governo com os movimentos sociais e, especialmente, com as populações do campo. Para o MPL, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado foi marcada por conversas com empresários do setor de celulose, mas sem atenção para os agricultores sem terra. “Queremos que o presidente Lula venha ao estado para dialogar com os movimentos sociais. Até agora, ele só veio ouvir empresários do setor de celulose”, lamentaram em seu manifesto.
A reforma agrária é uma das questões mais sensíveis e históricas de Mato Grosso do Sul, estado marcado pela desigualdade na distribuição de terras e pelo sofrimento de milhares de trabalhadores rurais em busca de um lugar digno para viver e trabalhar. As famílias acampadas aguardam por soluções definitivas, já que muitos estão na espera do assentamento há anos. O movimento considera que o governo federal deve garantir recursos específicos para a realização do processo de assentamento, com a aquisição de terras e a implementação de políticas públicas para o campo.
Além disso, a pauta de reivindicações também abrange áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública. Para os manifestantes, as constantes medidas de austeridade e cortes nos investimentos em áreas sociais têm um impacto direto na vida das populações mais pobres. “Sempre que se fala em cortes e congelamentos, são essas áreas que pagam a conta, prejudicando o povo. Não aceitaremos retrocessos”, afirmaram, destacando a necessidade de uma agenda pública que priorize o bem-estar da população em vez de medidas que só favoreçam o setor privado.
Outro ponto importante que foi destacado nas mobilizações foi a questão da justiça climática. O movimento alertou que a crise ambiental tem afetado diretamente as populações mais vulneráveis, que sofrem com enchentes, secas e outros desastres naturais, mas que são as menos responsáveis pelos danos ao meio ambiente. “Defendemos a justiça climática e exigimos que o governo tome medidas urgentes para proteger a população mais vulnerável e investir em políticas ambientais que garantam um futuro sustentável”, argumentaram os manifestantes.
A mobilização causou grandes transtornos no tráfego de veículos, com a rodovia BR-163 em Naviraí completamente bloqueada por cerca de 200 manifestantes, gerando congestionamento de até 3 km no sentido sul e 4 km no sentido norte. Na BR-267, o tráfego flui em sistema “pare e siga”, o que tem gerado lentidão significativa na região. A única alternativa para os motoristas é desviar por rodovias estaduais, passando por Iguatemi e indo até Mundo Novo.
Este protesto reflete a crescente insatisfação dos trabalhadores rurais com a morosidade do processo de reforma agrária e com as políticas públicas que, na visão do movimento, não atendem às necessidades da população mais carente. A mobilização é um alerta para o governo federal de que, sem ações concretas para resolver os problemas do campo, o movimento de luta por direitos sociais e reforma agrária se intensificará em todo o Brasil.
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