Mato Grosso do Sul, 5 de julho de 2026
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Tragédia no Elevador da Glória em Lisboa deixa 17 mortos e acende alerta sobre segurança de funiculares centenários

Acidente com tradicional bondinho turístico expõe fragilidades na manutenção e gera luto nacional em Portugal
Elevador da Glória despenca em Lisboa e deixa feridos — Foto: Reprodução
Elevador da Glória despenca em Lisboa e deixa feridos — Foto: Reprodução

O descarrilhamento do Elevador da Glória, uma das atrações turísticas mais emblemáticas de Lisboa, resultou na morte de 17 pessoas e deixou 21 feridos, cinco em estado grave. O acidente, ocorrido na quarta-feira, chocou a cidade e gerou uma onda de consternação em todo o país. Imagens capturadas no momento do incidente mostram o bonde despencando ladeira abaixo, provocando correria e pânico entre pedestres e passageiros.

O Elevador da Glória, inaugurado em 1885, é um funicular que conecta o Largo dos Restauradores ao Bairro Alto e transporta mais de três milhões de passageiros por ano. O veículo, que comporta até 42 pessoas, é considerado patrimônio histórico e monumento nacional desde 2002. O acidente levanta questionamentos sobre a segurança de infraestrutura centenária, mesmo após protocolos de manutenção aparentemente rigorosos.

De acordo com especialistas, o sistema do elevador combina tração elétrica e um cabo de contrapeso entre as cabines. Fernando Nunes da Silva, engenheiro e ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou que o rompimento de um cabo de tração pode ter provocado a perda de controle do veículo, impedindo o acionamento adequado dos freios. Testemunhas confirmaram que, momentos antes do impacto, uma das cabines teria descido cerca de um metro, seguida pela outra, que colidiu com um prédio em alta velocidade.

A manutenção do funicular é realizada pela empresa privada Maintenance Engineering desde agosto de 2022, com contrato de quase € 1 milhão para assistência contínua e substituição periódica do cabo a cada 1.500 dias de uso. No entanto, denúncias de trabalhadores da Carris, empresa responsável pela gestão do elevador, apontaram falhas na prestação do serviço terceirizado. A administração da Carris garantiu que protocolos de segurança foram seguidos e anunciou a abertura de um inquérito interno para apurar responsabilidades.

O Ministério Público de Portugal também instaurou investigação oficial, enquanto o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários iniciou a coleta de evidências, apesar da escassez de pessoal, apenas nesta quinta-feira. O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou luto nacional e prestou solidariedade às famílias afetadas, reforçando a gravidade do episódio.

O acidente interrompeu ainda eventos culturais previstos para Lisboa, como a Festa do Livro no Palácio de Belém, e motivou manifestações de condolências de líderes internacionais. Entre eles, Emmanuel Macron, presidente da França, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, expressaram pesar às famílias. O governo brasileiro também se solidarizou e colocou o Consulado-Geral em Lisboa à disposição de cidadãos brasileiros.

Moradores e turistas relataram cenas de horror. Teresa d’Avó, testemunha do acidente, descreveu o bonde “desenfreado” descendo a ladeira e batendo com força em um prédio. Uma turista brasileira, Yasmin, afirmou ter decidido caminhar em vez de usar o elevador naquele dia e presenciou o impacto devastador do veículo, descrevendo a situação como “uma cena de muito sangue e pânico”.

A tragédia reacende a necessidade de revisão profunda dos protocolos de manutenção de infraestrutura histórica e da gestão de segurança em equipamentos centenários, que ainda desempenham papel essencial no transporte urbano e no turismo em Lisboa. Autoridades prometem rigor na apuração das causas e reforço nas medidas de prevenção para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.

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