A rotina do município de Angélica, no interior sul-mato-grossense, voltou a ser sacudida por um episódio que coloca a política local sob forte questionamento. O vereador Alexssandro Ferreira Nogueira, mais conhecido como Alex Rodinha (PSDB), foi novamente flagrado em atividade criminosa. Detido com 275 pacotes de cigarros contrabandeados, o parlamentar foi liberado na noite de quarta-feira (26) após audiência judicial, sob condição de uso de tornozeleira eletrônica.
O episódio não é inédito. Rodinha já havia sido preso anteriormente pelo mesmo crime, o que, segundo o juiz federal Moisés Anderson Costa Rodrigues da Silva, indicaria que o vereador “faz uso do crime como meio de vida”. A declaração do magistrado foi registrada na decisão judicial que, apesar da constatação, não determinou a prisão preventiva do político, optando por medidas cautelares alternativas.
A nova detenção ocorreu após diligências da Polícia Federal, que conduziram o vereador até a sede da instituição em Dourados. O local exato do flagrante não foi divulgado, mas os agentes apreenderam com ele uma quantidade significativa de produtos ilegais: 275 pacotes de cigarros de origem paraguaia. O crime se enquadra nas tipificações de contrabando e descaminho, delitos reiteradamente combatidos nas fronteiras do Brasil com o Paraguai.
Apesar da reincidência, o juiz federal entendeu que a prisão preventiva seria “uma medida excessiva” para o caso concreto. Em sua decisão, Moisés Anderson ressaltou que a privação de liberdade, mesmo diante de indícios de habitualidade criminosa, deve ser aplicada com parcimônia e de forma proporcional. “A decretação de prisão preventiva sem a tentativa de imposição de condições mais rígidas, porém, menos gravosas que a privação da liberdade, não se coaduna com as balizas constitucionais”, escreveu o magistrado.
Ainda assim, como parte das determinações judiciais, foi ordenada a quebra do sigilo telefônico do vereador, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre eventuais conexões criminosas e a estrutura por trás do esquema de contrabando. Alex Rodinha deverá se apresentar à Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) para instalação da tornozeleira eletrônica, além de cumprir medidas cautelares.
A notícia gerou revolta entre moradores de Angélica e nas redes sociais, com manifestações que cobram maior rigor das autoridades. “Como pode um vereador, que deveria ser exemplo, ser preso duas vezes pelo mesmo crime e continuar livre?”, questionou um internauta. Outra moradora, identificada como Daniela L., afirmou: “É esse tipo de político que representa a população? Um contrabandista reincidente?”
A indignação é alimentada também pela manutenção de Rodinha na Câmara Municipal, onde ocupa o cargo de segundo secretário da Mesa Diretora. Até o momento, não há sinalizações de afastamento ou sanções administrativas por parte do Legislativo municipal, o que aumenta a sensação de impunidade e desmoralização das instituições políticas locais.

A situação do vereador, somada à leniência institucional, reabre o debate sobre os critérios éticos e legais que norteiam o exercício de mandatos eletivos no Brasil. Para muitos cidadãos, a continuidade de Rodinha na função pública é inaceitável, especialmente após uma nova confirmação de envolvimento com práticas ilícitas. Entidades de fiscalização e moralidade pública, como a OAB-MS e movimentos sociais, já se articulam para exigir providências mais severas e investigação profunda das condutas do vereador.
Enquanto isso, segue o silêncio da base aliada na Câmara de Angélica e da direção estadual do PSDB, partido ao qual Alexssandro Rodinha é filiado. Nenhuma nota oficial foi emitida até o momento, nem tampouco há registro de abertura de processo disciplinar interno.
A população, por sua vez, vê-se novamente diante da perplexidade: um representante eleito, reincidente em crime federal, segue legislando em nome do povo, mesmo sob investigação e vigilância eletrônica. Em tempos de crise ética na política, episódios como este reforçam a distância entre a prática parlamentar e os anseios por moralidade pública.
#VereadorPresoPorContrabando #ImpunidadeNaPolítica #JustiçaComTorNozeleira #CampoGrandeIndignada #RodinhaReincidente #CorrupçãoNaCâmara #VergonhaNacional #TornozeleiraNãoÉJustiça #ForaRodinhaJá #PSDBPrecisaSeManifestar #PolíticaComDecência #TransparênciaEJustiçaJá