Mato Grosso do Sul, 14 de junho de 2026
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Violência no Jardim Noroeste: morador em situação de rua morre após espancamento brutal em Campo Grande

O caso está sendo investigado pela Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. As autoridades estão ouvindo testemunhas e analisando imagens de segurança da região para tentar esclarecer a dinâmica dos fatos
De Campo Grande, empresária tinha viajado até Ponta Porã para buscar roupas para sua loja
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A brutalidade das ruas fez mais uma vítima em Campo Grande. Disson de Moura, um homem de 41 anos que vivia em situação de rua, foi espancado até a morte na noite de sexta-feira (21), na Rua Bananal, no Jardim Noroeste. O crime, que choca moradores da região, está sendo investigado como homicídio simples.

Segundo o Boletim de Ocorrência, Disson foi encontrado desacordado e socorrido por uma equipe do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), sendo levado à UPA Tiradentes. Apesar dos esforços da equipe médica para reanimá-lo, ele não resistiu aos ferimentos e teve sua morte confirmada às 18h25. Sua irmã, ao receber a notícia, procurou a delegacia para registrar o caso.

O que testemunhas dizem

Testemunhas relataram que viram Disson sendo agredido antes de perder a consciência. Algumas versões indicam que os agressores poderiam ser policiais, mas a informação ainda está sendo apurada. Segundo moradores da região, o homem estava no local desde as 8h da manhã de sexta-feira. “Acho que estava muito bêbado. Ficou ali deitado no sol o dia todo. Foi levado só às 17h”, disse uma moradora que preferiu não se identificar.

Ainda segundo vizinhos, policiais chegaram a interagir com Disson antes dele ser levado pelo SAMU. “Eles empurraram ele para acordar, mas não espancaram. Depois foram embora e não prenderam ninguém”, acrescentou a moradora. Outra testemunha relatou que Disson teria tentado agredir os policiais antes de ser deixado no local.

Investigação e repercussão

O caso está sendo investigado pela Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. As autoridades estão ouvindo testemunhas e analisando imagens de segurança da região para tentar esclarecer a dinâmica dos fatos e identificar os responsáveis pela agressão.

A morte de Disson levanta mais uma vez a discussão sobre a vulnerabilidade das pessoas em situação de rua. Frequentemente expostas à violência, à fome e à negligência social, essas pessoas muitas vezes têm suas histórias ignoradas até que tragédias como essa aconteçam.

A organização de direitos humanos “Movimento Rua Digna” se manifestou sobre o caso e cobrou das autoridades uma apuração rigorosa. “Infelizmente, pessoas em situação de rua são alvos fáceis de violência e preconceito. O que aconteceu com Disson não pode ser mais um caso esquecido”, afirmou a entidade em nota.

O sepultamento de Disson está previsto para este domingo (23), e sua família pede justiça. “Queremos saber quem fez isso com meu irmão. Ele podia ter seus problemas, mas ninguém merece morrer desse jeito”, desabafou a irmã da vítima.

A população local também reage com revolta e indignação. Moradores do Jardim Noroeste planejam um protesto para pedir respostas das autoridades. “Se foi a polícia ou não, não importa. Alguém espancou esse homem até a morte, e isso não pode ficar impune”, disse um comerciante da região.

A violência contra pessoas em situação de rua no Brasil tem sido um problema crescente. Dados de organizações de direitos humanos apontam que os casos de agressões e homicídios contra essa população aumentaram nos últimos anos, reforçando a necessidade de políticas mais eficazes de proteção e assistência.

A investigação continua, e qualquer pessoa que tenha informações sobre o caso pode denunciar anonimamente pelo Disque Denúncia.

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