Uma mulher de 28 anos virou alvo de investigação por tentativa de homicídio após disparar contra o vizinho de 53 anos na Vila Nhanhá, em Campo Grande, na noite de domingo, 8 de fevereiro. O caso explodiu em uma rua do bairro, na Rua Floriano Paula Corrêa, onde uma confusão entre moradores escalou para violência armada. A Polícia Militar chegou rápido ao local acionada por vizinhos assustados, mas a suspeita já tentava se livrar do revólver, colocando a arma em uma sacola e passando para um adolescente que fugiu na sequência.
O vizinho, principal vítima do atentado, contou aos policiais que tudo começou com desentendimentos acumulados há meses. Os motivos da briga giravam em torno de barulho excessivo vindo da casa dela, especialmente música alta e festas até altas horas, que perturbavam o sono da família dele. Para piorar, ele acusou a mulher de invasão de terreno, com ela estendendo uma cerca irregular sobre parte da propriedade dele, o que gerou discussões acaloradas e até ameaças verbais anteriores. No domingo, a gota d’água veio quando ele reclamou mais uma vez do som alto, levando a uma troca de gritos que terminou com ela pegando a arma e atirando em direção ao portão da casa dele.
Os militares encontraram uma marca clara de bala no portão de metal, bem na altura da cabeça do homem, confirmando o risco real à vida dele. Segundo o relato da vítima na delegacia, o tiro veio direto para o rosto, mas ele desviou no último instante, se jogando para o lado e evitando o pior. Nenhum outro vestígio de projétil foi achado no quintal ou na rua, o que sugere que a bala ficou alojada no portão ou ricocheteou. A mulher sumiu logo após o disparo, e buscas intensas pela PM no bairro inteiro, incluindo vielas e casas próximas, não deram resultado. O adolescente que pegou a sacola com a arma também não foi localizado até o momento.
A Vila Nhanhá é um dos bairros mais violentos da região sul de Campo Grande, com histórico de tiroteios, assaltos, tráfico de drogas e brigas armadas que aterrorizam moradores. Conhecida como “cracolândia” da capital, o local sofre com disputas de facções por pontos de venda, execuções frequentes e um fluxo constante de usuários de crack pelas ruas esburacadas e abandonadas. Apesar de tentativas passadas de pacificação pela polícia, a área registra dezenas de ocorrências violentas por mês, incluindo homicídios por motivos fúteis como esses. Casos de vizinhos resolvendo contas a bala viram rotina, impulsionados pela fácil circulação de armas ilegais e pela sensação de impunidade.
O vizinho de 53 anos, pai de família e trabalhador local, disse que já havia alertado a vizinha várias vezes sobre o barulho, mas ela reagia com grosserias e ameaças. Ele nega qualquer provocação física prévia e afirma que vai pedir medida protetiva na Justiça para se proteger de retaliações, especialmente em um bairro onde vinganças são comuns. A PM registrou o boletim de ocorrência por tentativa de homicídio qualificado e disparo de arma de fogo em via pública, crimes que preveem penas pesadas se a suspeita for presa.
A delegacia responsável pelo bairro agora vasculha câmeras de segurança próximas e ouve testemunhas para montar o cerco. Moradores da rua relatam pânico na hora do tiro, com crianças chorando e gente trancando portas. Um deles viu a mulher correndo com a sacola, confirmando a tentativa de acobertar o crime. Enquanto a polícia caça a atiradora, o bairro vive clima de medo ainda maior, com famílias reforçando portões e evitando sair à noite. O homem baleado não se feriu fisicamente, mas passou a noite na delegacia prestando depoimento e descrevendo o terror do momento. Ele cobra providências rápidas para evitar que brigas de vizinhança virem tragédia em uma área já marcada pela violência.
Casos semelhantes já ocorreram na Vila Nhanhá, como disputas por som alto que acabam em facadas ou tiros, reforçando a necessidade de patrulhas reforçadas e mediação comunitária antes que o pior aconteça. A investigação segue, e a cidade espera pelo desfecho dessa noite de fúria em um dos pontos mais quentes da capital.
#CampoGrande #JardimNhanha #TentativaHomicidio #VizinhosBrigam #Tiroteio #PoliciaMilitar #ArmaFogo #MSeguranca #CrimeVizinhanca #BarulhoExcesso #InvasaoTerreno #Investigacao