Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Volume de processos por violência contra a mulher cresce cinquenta e três por cento em cinco anos no judiciário estadual

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul registra recorde de novas ações e medidas protetivas enquanto estrutura judiciária acelera julgamentos para conter o estoque de procedimentos pendentes
Imagem - Amarildo/Geraldo Neto
Imagem - Amarildo/Geraldo Neto

O cenário da segurança pública e do acolhimento jurídico às vítimas de agressão em Mato Grosso do Sul atravessa um momento de estatísticas históricas e desafios crescentes. Um levantamento detalhado sobre a movimentação processual dos últimos cinco anos revela que o número de novas ações ajuizadas por violência doméstica e familiar apresentou um salto impressionante, saindo de vinte e quatro mil cento e doze processos em dois mil e vinte para trinta e seis mil oitocentos e setenta e dois no encerramento do ano passado. Esse crescimento de quase cinquenta e três por cento demonstra uma maior conscientização das vítimas em buscar o amparo da lei, mas também expõe a persistência de um ciclo de violência que ainda castiga milhares de lares em todas as regiões do estado.

A resposta das autoridades judiciárias tem buscado acompanhar esse ritmo acelerado de novas demandas. No mesmo intervalo de cinco anos, a produtividade nas sentenças também registrou uma alta expressiva de oitenta e um por cento, com o número de casos julgados subindo de treze mil trezentos e quarenta e um para mais de vinte e quatro mil decisões finais no último ano. Entretanto, mesmo com o esforço das varas especializadas em agilizar os veredictos, o acúmulo de processos que ainda aguardam uma solução definitiva alcançou o seu pico em dois mil e vinte cinco. Atualmente, existem cinquenta e cinco mil oitocentos e noventa e um procedimentos judiciais pendentes de julgamento, o maior volume registrado desde o início do período analisado, o que reforça a necessidade de ampliação das estruturas de atendimento e julgamento.

Dentro do espectro mais severo da violência de gênero, os casos de feminicídio mantêm indicadores alarmantes no estado. No último ano, duzentos e vinte sete novos processos foram abertos para investigar mortes de mulheres ocorridas estritamente em razão de sua condição feminina, valor que se mantém próximo ao recorde histórico registrado em dois mil e vinte três. Ao todo, a justiça sul-mato-grossense contabiliza quatrocentos e noventa e quatro ações de feminicídio que ainda precisam de uma sentença final, o patamar mais alto dos últimos cinco anos. Somando as agressões físicas comuns aos casos de mortes violentas, Mato Grosso do Sul registrou um montante superior a cento e sessenta mil ocorrências formais de violência contra a mulher ao longo desse período de meia década, evidenciando uma realidade de perigo constante para o público feminino.

As medidas protetivas de urgência surgem como o principal instrumento de defesa imediata para as mulheres sob ameaça. Somente no decorrer de dois mil e vinte cinco, foram solicitadas vinte e duas mil duzentas e vinte proteções judiciais no âmbito do tribunal estadual. Desse total, a justiça concedeu noventa e quatro por cento dos pedidos, garantindo o afastamento de agressores e a segurança de mais de treze mil e quinhentas mulheres em situação de risco. Um dado positivo é a agilidade do sistema, que leva em média apenas dois dias entre o pedido da vítima e o deferimento da proteção. Para fortalecer esse amparo, a população conta com canais fundamentais: o Ligue 180, que oferece orientações e recebe denúncias de forma anônima, e o telefone 190 da Polícia Militar para situações de emergência imediata. Além disso, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e o aplicativo MS Digital permitem o registro de ocorrências e pedidos de socorro de forma célere.

Especialistas do setor judiciário afirmam que a transparência e a consolidação desses dados em painéis de monitoramento são ferramentas vitais para a formulação de políticas públicas de prevenção mais eficazes. A visibilidade dos números ajuda a orientar a distribuição de recursos e a criação de novas unidades de acolhimento em municípios que apresentam maior incidência de crimes. Com o feminicídio cada vez mais evidente para a sociedade civil, o rigor no cumprimento das penas e a rapidez na concessão de medidas protetivas tornam-se os pilares fundamentais para interromper as cadeias de violência antes que elas evoluam para desfechos fatais.

O compromisso das instituições de justiça em Mato Grosso do Sul para os próximos anos foca no fortalecimento da rede de proteção e na redução do estoque de processos parados. O aumento na quantidade de ações ajuizadas é visto não apenas como um indicador de violência, mas como um sinal de que a mulher sul-mato-grossense está confiando mais no sistema de justiça e rompendo o silêncio contra o agressor. A meta agora é garantir que essa confiança seja retribuída com sentenças rápidas e eficazes, assegurando que o direito à vida e à integridade física prevaleça sobre a impunidade, transformando os recordes de processos em recordes de proteção e paz social para todas as famílias do estado que buscam viver sem o medo da opressão doméstica.

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