Waldir Neves Barbosa, conselheiro e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, é o proprietário da Estância Walf, interditada pelo Corpo de Bombeiros na zona rural de Bonito após a morte de dois jovens em acidente com tirolesa. O centro de eventos operava irregularmente sem certificado de vistoria da corporação, requisito essencial para alvará municipal, e recebia festas e casamentos às margens de lagoa artificial.
A tragédia ocorreu no sábado (21) durante celebração de casamento na propriedade de 100 hectares. Gustavo Henrique Camargo dos Santos, de 32 anos, escorregou na tirolesa sobre a lagoa e sofreu descarga elétrica de cabo desprotegido, caindo na água. Pedro Henrique de Jesus Martins, de 21 anos, mergulhou para resgatar o amigo e também levou choque fatal quando tocou o corpo.
Pedro Henrique chegou ao Hospital Municipal de Bonito em parada cardiorrespiratória e morreu no domingo (22). Gustavo Henrique ganhou vaga zero no helicóptero médico e foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande, mas faleceu minutos após o pouso na Capital. Médicos confirmaram parada cardíaca por choque seguido de afogamento em laudo preliminar.
Bombeiros vistoriaram a estância na segunda-feira (23) e lavraram auto de interdição por falta de documentação de segurança. Sem o laudo dos militares, a prefeitura de Bonito não emite licença para eventos públicos. A Estância Walf promovia casamentos de 300 convidados, festas de 15 anos e eventos corporativos, faturando com turismo complementar às grutas e rios da região.
A propriedade está registrada na Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda, aberta em 23 de abril de 2021 com sede no Residencial Damha, bairro nobre de Campo Grande. Waldir Neves consta como sócio único da empresa, que administra fazenda com chalés para 20 hóspedes, piscina, quadra de tênis e cozinha industrial para 500 refeições. Investimento inicial ultrapassou R$ 5 milhões em infraestrutura turística.
Em 2025, Neves e a agropecuária responderam a ação de cobrança por mansão de R$ 2,7 milhões no Damha. Vendedores exigiam R$ 1,5 milhão de saldo devedor, e o conselheiro firmou acordo judicial para quitar R$ 1,9 milhão em 12 parcelas mensais de R$ 50 mil, com entrada de R$ 1,1 milhão prevista para agosto. O imóvel abriga a família e escritório particular.

Jovens de 32 e 21 anos morreram após descarga elétrica em estância que pertence a Waldir Neves
Waldir Neves preside sessões do TCE-MS que julgam contas de prefeituras como Bonito e empresas de ecoturismo. Em dezembro de 2022, virou alvo das operações Mineração de Ouro, Terceirização de Ouro e Casa de Ouro da Polícia Federal, por suspeitas de corrupção em contratos de ouro ilegal e terceirizações fantasmas. Afastado do cargo, usou tornozeleira eletrônica por 18 meses até maio de 2025, quando retomou as atividades no tribunal.
Bonito recebe 300 mil turistas anuais atraídos por águas cristalinas como o Rio Sucuri e a Gruta Azul. Estâncias rurais como a Walf oferecem hospedagem e eventos para visitantes que fogem do centro urbano saturado. A tirolesa de 150 metros funcionava há quatro anos com cabos de aço ancorados em torres de madeira, sem histórico de panes anteriores conforme declaração do advogado Luiz Guilherme Pinheiro de Lacerda.
Peritos da Polícia Civil recolheram cabo elétrico danificado, fotos da plataforma de lançamento e amostras da lagoa com 3 metros de profundidade média. Laudo do IML de Campo Grande examina tecidos cardíacos para determinar voltagem do choque. Familiares das vítimas contratam advogados para ação indenizatória de R$ 2 milhões cada e pedem prisão do responsável técnico pela manutenção.
Ministério Público de Mato Grosso do Sul avalia improbidade administrativa contra o proprietário por funcionamento clandestino. Bombeiros intensificam 250 vistorias anuais em pousadas, fazendas e trilhas da região, interditando 40% por extintores vencidos ou saídas bloqueadas. Lei estadual 5.517/2019 exige seguro de responsabilidade civil para atividades de risco como tirolesas.
Estância permanece lacrada com cadeados dos bombeiros. Funcionários demitidos relatam 50 eventos por ano gerando R$ 300 mil de receita. Prefeitura de Bonito reforça fiscalização em 150 propriedades turísticas após o caso. TCE-MS não suspendeu Neves das funções apesar da repercussão.
Advogado do conselheiro informou que a atração passou por inspeção particular em dezembro. Waldir Neves guarda silêncio sobre a dupla morte. Bonito ajusta protocolos de segurança para manter confiança dos turistas nacionais e estrangeiros.
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