Um dos envolvidos no brutal assassinato do padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, ocorrido em Dourados no final do ano passado, foi preso novamente na tarde desta terça feira, dia 13 de janeiro de 2026. João Victor Martins Vieira, de 18 anos, que havia sido solto após a audiência de custódia em novembro, teve a prisão preventiva decretada pela justiça por descumprimento de medidas cautelares. A prisão foi efetuada pelos policiais do Setor de Investigações Gerais, o SIG, após a constatação de que o jovem, acusado de ajudar na ocultação do corpo e na limpeza da cena do crime, trocou de endereço sem a devida comunicação oficial ao poder judiciário, uma exigência legal para quem responde ao processo em liberdade provisória.
O crime que vitimou o pároco da igreja de Douradina, Alexsandro da Silva Lima, no dia 14 de novembro de 2025, chocou a comunidade e a igreja católica de Mato Grosso do Sul. As investigações apontam para um caso de latrocínio, roubo seguido de morte. João Victor Martins Vieira foi inicialmente detido na companhia do principal autor do crime, Leanderson de Oliveira Junior, também de 18 anos, e de duas adolescentes de 17 anos, no dia seguinte ao crime, quando circulavam com o carro da vítima, um Jeep Renegade preto, na região do Jardim Canaã I. Naquela ocasião, as adolescentes e João Victor foram liberados após prestarem depoimento.
A complexidade do caso levou o juiz Ricardo da Mata Reis, da Vara de Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal, a determinar no mês passado a quebra do sigilo dos celulares de todos os envolvidos, incluindo o da vítima. O objetivo da medida é esclarecer os detalhes da trama criminosa e verificar se o latrocínio foi premeditado, contrariando a versão apresentada por Leanderson de Oliveira Junior. O principal autor do crime, que está recolhido na Penitenciária Estadual de Dourados, a PED, alegou em depoimento que mantinha envolvimento sexual com o padre e que o teria matado a golpes de marreta na cabeça e facadas no pescoço após ser forçado a praticar sexo oral, uma versão que os investigadores buscam confirmar ou refutar com a análise dos dados telefônicos.
Além de Leanderson e João Victor, um adolescente de 17 anos também foi apreendido por participação no crime e está internado na Unidade Educacional de Internação, a Unei. O menor estava presente na casa onde o padre foi morto, no Residencial Vival dos Ipês, e auxiliou o amigo a descartar o corpo em uma área de mata no Distrito Industrial da cidade. A trama do crime ainda envolve uma tentativa de negociação do veículo do padre com receptadores no Paraguai por 40 mil reais. O grupo pretendia entregar o carro na linha internacional, mas a prisão em flagrante ocorreu antes da viagem, quando Leanderson fez uma parada para compras a caminho da casa da namorada, onde foi abordado com as armas do crime, a marreta e a faca.
Ao chegar novamente à delegacia nesta terça feira, João Victor Martins Vieira alegou que a mudança de endereço se deu por um pedido dos proprietários do imóvel onde residia no BNH 4º Plano, que teriam solicitado a casa de volta após a repercussão do crime. Ele insistiu que havia informado sobre a mudança, mas a justiça entendeu o contrário. A nova prisão, agora preventiva, garante que o acusado aguarde o julgamento recluso, enquanto a polícia aprofunda as investigações para identificar outros possíveis comparsas e desvendar a real motivação do crime que abalou a tranquilidade de Dourados e da região sul de Mato Grosso do Sul.
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