O carnaval é período de festa, mas também exige atenção redobrada à segurança das mulheres. Com o objetivo de combater o assédio, a importunação sexual e outras formas de violência, o Ministério das Mulheres articulou uma mobilização nacional que já conta com a adesão de 18 estados. A campanha “Se liga ou eu ligo 180” busca conscientizar foliões e reforçar que qualquer ato sem consentimento é crime.
A iniciativa envolve as secretarias estaduais de políticas para as mulheres e amplia a divulgação do Ligue 180, canal gratuito que funciona 24 horas por dia em todo o país. A mensagem central é direta: desrespeito, toque forçado, beijo sem consentimento, abordagens insistentes e comentários de teor sexual não fazem parte da festa e devem ser denunciados.
Integram a mobilização os estados da Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins. Em todos eles, ações educativas e pontos de apoio foram montados em locais de grande concentração de público.
Em Mato Grosso do Sul, a campanha ganhou reforço especial nas principais cidades. Em Campo Grande, tendas de acolhimento foram instaladas em áreas de maior circulação durante os blocos e eventos abertos. Equipes identificadas distribuem materiais informativos, orientam mulheres sobre como agir em caso de violência e explicam os canais disponíveis para denúncia. Faixas com frases de alerta foram posicionadas em pontos estratégicos e próximas aos circuitos da folia.
Em Dourados, Corumbá, Três Lagoas e Ponta Porã, a mobilização conta com apoio das guardas municipais, da Polícia Militar e de voluntários capacitados. Além da distribuição de panfletos e pulseiras com o número 180, são realizadas abordagens educativas para informar que importunação sexual é crime previsto em lei. Em algumas cidades, carros de som circulam próximos aos blocos reforçando as orientações.
A lei nº 13.718/2018 tipifica a importunação sexual como crime, com pena de reclusão de um a cinco anos, quando não houver crime mais grave. A legislação considera ato libidinoso praticado contra alguém sem consentimento, mesmo sem violência física. O objetivo da campanha é esclarecer que a responsabilidade é sempre de quem comete o ato, independentemente da roupa da vítima ou do consumo de bebida alcoólica.
Além das ações presenciais, a divulgação do Ligue 180 ocorre por mensagens enviadas a celulares em cidades com grande concentração de público. Balões infláveis e painéis com frases de conscientização foram instalados em avenidas movimentadas. Em rodovias federais, faixas reforçam o alerta para quem está em deslocamento durante o feriado.
Em Mato Grosso do Sul, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher mantêm plantão durante o período carnavalesco. As equipes são orientadas a dar prioridade aos casos registrados durante a festa. A Polícia Militar também reforça o atendimento pelo número 190 em situações de urgência, como agressões, ameaças ou violência em andamento.
As orientações são claras. Em caso de importunação ou qualquer forma de violência, a vítima deve procurar imediatamente a organização do evento ou um agente de segurança mais próximo. É possível registrar denúncia de forma anônima pelo Ligue 180, que acolhe, orienta e encaminha os casos para os órgãos competentes. Para risco imediato, o contato deve ser feito pelo 190.
A central Ligue 180 atende gratuitamente em todo o território nacional e também recebe denúncias pelo WhatsApp no número (61) 9610-0180. A equipe é formada por profissionais capacitados para oferecer orientação, acolhimento e encaminhamento à rede de proteção.
A mobilização conta ainda com apoio de instituições financeiras, órgãos de fiscalização e concessionárias de rodovias, que exibem mensagens educativas em bilhetes, painéis eletrônicos e praças de pedágio. A estratégia amplia o alcance da informação e fortalece a rede de proteção às mulheres.
O carnaval movimenta multidões, gera renda e celebra a cultura brasileira. Mas a festa só é completa quando há respeito. A campanha reforça que alegria não combina com violência e que cada cidadão tem responsabilidade na construção de um ambiente seguro. Denunciar é um passo essencial para interromper o ciclo de agressões e garantir que a folia seja espaço de diversão, não de medo.
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