Mato Grosso do Sul, 24 de junho de 2026
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STF decreta prisão de Carla Zambelli, que foge para a Europa e vira alvo internacional da Interpol

Deputada federal, condenada a 10 anos de prisão, é incluída na lista da Interpol após ser apontada como autora intelectual de ataque hacker contra o STF e protagonizar episódios que abalaram a política nacional

Em mais um episódio de repercussão nacional, o Supremo Tribunal Federal, através de decisão proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, determinou nesta quarta-feira, dia 4, a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli, do Partido Liberal de São Paulo. A medida incluiu ainda o nome da parlamentar na lista de procurados da Interpol, em cumprimento a um pedido formalizado pela Procuradoria Geral da República. A decisão representa o ápice de uma escalada de ações judiciais e investigações que envolveram a deputada nos últimos anos.

Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de reclusão, além da perda do mandato parlamentar e da obrigação de pagamento de uma indenização de dois milhões de reais por danos coletivos. A condenação se deu no contexto do ataque ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça, do qual foi considerada autora intelectual. As investigações comprovaram que Zambelli coordenou e orientou a invasão, que culminou na tentativa de emissão fraudulenta de um mandado de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes. A execução material do ataque ficou a cargo do hacker Walter Delgatti, também condenado no mesmo processo.

O episódio não apenas expôs a fragilidade de certos sistemas institucionais, como também intensificou o embate político entre a parlamentar e o Supremo Tribunal Federal. A decisão judicial, no entanto, ainda está sujeita a recursos, o que não impediu que, diante do risco de fuga, a PGR solicitasse a imediata prisão preventiva de Zambelli.

Em entrevista concedida ao portal CNN, a deputada confirmou que se encontra fora do Brasil, afirmando estar atualmente nos Estados Unidos, com a intenção declarada de seguir viagem para a Itália, país onde possui cidadania. A parlamentar, ao justificar sua movimentação internacional, afirmou que, por ser cidadã italiana, estaria “intocável” em território europeu, dando a entender que não teme uma eventual extradição, mesmo com seu nome já constando na lista vermelha da Interpol.

Horas antes de a Procuradoria Geral da República formalizar o pedido de prisão, Zambelli participara de uma entrevista a um canal no YouTube, na qual declarou estar na Europa há alguns dias, sob o argumento de que busca tratamento médico. A parlamentar anunciou ainda sua decisão de pedir licença do mandato, que deverá ser assumido pelo suplente Coronel Tadeu, também do Partido Liberal de São Paulo. Apesar das especulações sobre sua real localização, Zambelli evitou informar em qual país está, reforçando apenas que sua cidadania italiana dificultaria qualquer procedimento de extradição.

A saída da parlamentar do território brasileiro, logo após a condenação imposta pelo Supremo, provocou uma reação imediata do meio político. O deputado federal Lindbergh Farias, do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro e líder da bancada petista na Câmara, apresentou uma representação formal solicitando que a Procuradoria Geral da República adote medidas para garantir a prisão de Zambelli. Entre as providências requeridas, estão a inclusão do nome da parlamentar na lista de procurados da Interpol, o bloqueio de seus bens, a abertura de um processo de extradição e a revogação do passaporte diplomático que ela detém.

A complexidade jurídica do caso foi ampliada com a decisão do advogado Daniel Bialski, que até então atuava na defesa de Zambelli, de se afastar do caso. O advogado justificou sua saída por “motivo de foro íntimo”, após ter sido informado que a parlamentar havia deixado o país para tratamento médico, movimento que, na visão de muitos, configurou uma estratégia para evitar o cumprimento da sentença.

O histórico criminal e político de Carla Zambelli inclui ainda outro processo em curso no Supremo Tribunal Federal, relacionado ao episódio em que a parlamentar, armada, perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Esse processo já conta com maioria formada na Corte para condená-la a mais de cinco anos de reclusão, mas encontra-se suspenso após pedido de vista apresentado pelo ministro Nunes Marques.

Durante sua recente entrevista, Zambelli não escondeu a motivação política por trás de suas ações e críticas. A parlamentar reiterou desconfianças sobre a lisura do sistema eleitoral brasileiro e declarou que pretende continuar atuando politicamente, mesmo a partir do exterior, a exemplo de outros políticos conservadores que se afastaram do país, como o deputado Eduardo Bolsonaro.

Com receio de ter suas contas suspensas por decisão judicial, a deputada informou que o conteúdo de suas redes sociais será administrado, a partir de agora, por sua mãe. A parlamentar também reiterou sua disposição de seguir usando as plataformas digitais como instrumento de militância, mantendo as críticas constantes ao Supremo Tribunal Federal e ao sistema de Justiça brasileiro.

O caso Carla Zambelli marca mais um capítulo de tensão entre o Poder Judiciário e setores radicalizados da política nacional, em um contexto de polarização crescente e disputas judiciais que transcendem o campo meramente jurídico, alcançando contornos políticos e sociais profundos. A prisão decretada e sua inclusão na lista da Interpol são, ao mesmo tempo, sinais da força institucional da Justiça brasileira e do desafio representado por figuras públicas que apostam na radicalização e na afronta ao Estado de Direito.

Enquanto isso, o futuro político e jurídico de Carla Zambelli permanece indefinido, à espera do desenrolar dos trâmites internacionais e da possibilidade, ainda que remota, de sua extradição. O caso segue mobilizando a opinião pública e gerando intenso debate sobre os limites da imunidade parlamentar, o papel da Justiça e a responsabilidade dos agentes políticos perante a sociedade.

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