A Polícia Civil de Rio Brilhante elucidou, na tarde desta segunda-feira (6), um crime que causou grande comoção na região. O corpo de um homem identificado como Reagan Gonçalves de Souza, de 39 anos, morador da reserva indígena de Dourados, foi encontrado totalmente carbonizado dentro de um veículo na rua Juviano Medeiros, próximo à BR-163. O caso foi tratado como homicídio qualificado, com destruição e ocultação de cadáver.
As investigações apontaram como principais suspeitos os irmãos Alice dos Santos Ferreira, de 29 anos, e Dailton Fernando dos Santos, de 31 anos. O casal foi preso após ser flagrado furtando uma motocicleta estrangeira em Rio Brilhante. Segundo a ocorrência, os dois tentaram utilizar o veículo para fugir da cidade, mas foram detidos por populares quando retornaram ao local do crime, sendo conduzidos pela Polícia Militar.
Durante a prisão, Alice e Dailton resistiram à ação policial e chegaram a desacatar os agentes, mantendo a postura hostil até mesmo já na delegacia. A suspeita é de que o furto da motocicleta tenha sido uma tentativa de fuga após a execução do homicídio.
No decorrer do dia, a Polícia Civil reuniu provas que ligaram os irmãos diretamente ao crime. Câmeras de monitoramento e depoimentos confirmaram a presença deles no veículo da vítima. A reconstituição dos fatos mostrou que Alice havia conhecido Reagan no domingo (5), após ser liberada da delegacia em Dourados, onde tinha sido levada por causar transtornos em um hospital indígena.
De acordo com as apurações, Alice e Reagan passaram a noite juntos, consumindo bebidas alcoólicas, até que Dailton se juntou ao grupo. Mais tarde, em um comércio da cidade, uma discussão teria ocorrido entre Alice e Reagan. Dailton relatou que deixou o local e, pouco depois, a irmã apareceu dirigindo o veículo da vítima. Dentro do carro, segundo ele, Reagan já estava morto no banco de trás.
A partir daí, os irmãos seguiram em direção a Rio Brilhante, passando por Douradina e pelo distrito de Bocajá, até chegarem ao ponto onde o automóvel foi incendiado. Testemunhas relataram que Alice dirigia em alta velocidade, com faróis apagados em alguns trechos, em atitude considerada suspeita.
As autoridades ainda não confirmaram a arma utilizada no crime. Alice declarou não se lembrar se golpeou a vítima com faca ou outro objeto perfurocortante. O corpo foi encaminhado ao IML de Dourados, onde exames devem apontar a causa exata da morte.
O histórico de Alice contribuiu para reforçar a gravidade do caso. Em Dourados, ela já havia sido denunciada por agredir uma idosa cuidada por sua mãe. Em Rio Brilhante, foi presa em 2022 após abandonar três filhos menores dentro de um carro para beber em uma lanchonete. Na ocasião, além de abandonar as crianças, ela também se envolveu em briga e desacatou policiais, sendo acusada de abandono de incapaz, lesão corporal e desacato.
Dailton, por sua vez, possui apenas uma passagem policial registrada em 2012, por adulteração de numeração de veículo automotor. Apesar de um histórico menos conturbado, a participação dele no crime de Rio Brilhante se torna evidente pelas provas reunidas.
A identidade da vítima só será confirmada oficialmente após exame de material genético, devido ao estado avançado de carbonização. No entanto, a documentação do veículo está em nome de Reagan, e familiares confirmaram que ele estava desaparecido desde o domingo.
Os irmãos permanecem detidos na delegacia de Rio Brilhante e estão à disposição da Justiça. O crime, de extrema violência, segue sendo investigado, e novas diligências deverão esclarecer se houve a participação de outros envolvidos ou se o homicídio ocorreu de forma premeditada ou em circunstâncias momentâneas de conflito.
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