Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Supremo inicia julgamento do Núcleo 4 da trama golpista com detalhamento de crimes e acusados

Grupo de sete réus, apontado como núcleo de desinformação, é investigado por tentativa de golpe contra a democracia em 2022
Imagem - STF/Divulgação
Imagem - STF/Divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início nesta manhã ao julgamento do Núcleo 4 da trama golpista que buscou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022. Sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes, a sessão começou com a leitura do relatório da ação penal que detalha a atuação do grupo, composto por sete réus entre militares e civis, apontados como responsáveis por disseminar desinformação e atacar instituições públicas.

O Núcleo 4, classificado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como o núcleo de desinformação, tem em seus integrantes militares da reserva do Exército, um policial federal e o presidente do Instituto Voto Legal. Entre os crimes imputados estão organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência, grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Durante a leitura do relatório, Moraes detalhou a atuação de cada réu, apontando ações coordenadas que incluíram a montagem de uma chamada “Abin Paralela”, com a finalidade de monitorar adversários políticos, além de campanhas de difamação e ataques virtuais contra os comandantes do Exército e da Aeronáutica, pressionando-os a aderir ao plano golpista. O relatório ressaltou que os réus propagaram sistematicamente notícias falsas sobre o processo eleitoral e atacaram virtualmente autoridades que poderiam contrariar seus objetivos, configurando tentativa de desestabilização institucional.

O grupo é formado por Ailton Gonçalves Moraes Barros, Ângelo Martins Denicoli, Giancarlo Gomes Rodrigues, Guilherme Marques de Almeida, Reginaldo Vieira de Abreu, Marcelo Araújo Bormevet e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha. Durante a fase inicial do julgamento, as defesas já apresentaram alegações finais por escrito, argumentando que a acusação não conseguiu individualizar as condutas de cada réu e que as provas apresentadas consistiriam apenas em indícios e suposições. Moraes resumiu esses argumentos, destacando que os advogados ainda terão oportunidade de se manifestar oralmente durante as sessões subsequentes.

A sessão de hoje, iniciada pouco depois das 9h, destinou-se à leitura do relatório e ao registro das manifestações iniciais das defesas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, fará sustentação oral reiterando os elementos que, segundo a acusação, comprovam a prática dos crimes. O julgamento está previsto para se estender por quatro sessões, com datas reservadas nos dias 15, 21 e 22 deste mês, quando os ministros da Primeira Turma deverão votar sobre a absolvição ou condenação dos réus. O colegiado é formado pelo relator Alexandre de Moraes, além de Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

O Supremo optou por dividir o processo em núcleos, agrupando réus de acordo com sua função dentro da organização criminosa. O Núcleo 1, considerado central, já resultou na condenação de Bolsonaro e de outras seis pessoas. O julgamento dos núcleos 2 e 3 ainda ocorrerá neste ano, com o Núcleo 3 marcado para 11 de novembro e o Núcleo 2 previsto para dezembro.

O início do julgamento do Núcleo 4 reforça a complexidade da investigação sobre os acontecimentos de 2022 e evidencia a atenção das autoridades em responsabilizar aqueles que atuaram para desestabilizar instituições e comprometer a ordem democrática do país. Especialistas ressaltam que a transparência dos procedimentos do STF e o detalhamento das ações de cada réu são fundamentais para consolidar a credibilidade do processo judicial e demonstrar a efetividade do sistema de justiça diante de ameaças à democracia.

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