A manicure Beatriz Nolasco afirmou que policiais teriam arrancado a cabeça do seu sobrinho, de 19 anos, durante a operação mais letal da história do Brasil nesta terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio.
Cabeça de Yago Ravel Rodrigues foi arrancada e colocada em uma árvore, afirmou Beatriz. “[Ele foi] decapitado pelo Bope, Core. Não sei quem foi que fez isso com ele, sendo que meu sobrinho não tinha um tiro no corpo. Apenas arrancaram a cabeça dele e deixaram na mata”, detalhou a manicure, que vive no Complexo do Alemão há 15 anos.
Segundo a tia, Yago não tinha envolvimento com o crime. Ela afirmou, em entrevista ao UOL, que ele trabalhava como mototáxi e nunca havia sido preso. “O corpo de um lado e a cabeça dele pendurada em uma árvore”, lamentou. A reportagem não conseguiu confirmar a informação.
A manicure disse ainda que as autoridades não permitiram que os familiares procurassem os corpos. “A gente queria oferecer alguma ajuda, tinha muita gente viva na mata, policial dando tiro em cima de morador. A polícia entrou no Complexo do Alemão para fazer uma chacina”, denunciou.
Família descobriu que Yago estava morto após reconhecê-lo em um vídeo que circula nas redes sociais. “Eu fiquei sabendo da localização do corpo do Ravel por um vídeo rodando, quando um homem pegou a cabeça dele e colocou em um saco. Um morador, porque todo mundo se juntou para colocar os corpos em lençóis”, acrescentou Beatriz Nolasco.
Rabecões e familiares começam a chegar para identificação dos mortos e clima é de angústia. Parentes dos mortos enfrentam uma longa espera para fazer o reconhecimento dos corpos. Desde a manhã, eles estão sendo encaminhados para a sede do Detran, ao lado do IML do Centro, onde devem pegar uma senha e aguardar pelo atendimento. A Defensoria Pública montou uma estrutura e acompanha a situação junto aos familiares.
A moradora Aline Alves da Silva não tem notícias do irmão, Alessandro Alves da Silva. A família aguarda no Detran por informações na tentativa de localizar o corpo. A polícia civil do Rio de Janeiro, responsável pela perícia dos corpos, não deu previsão para conclusão do trabalho de reconhecimento dos corpos.